Com trajetória ligada ao ecossistema de inovação e startups, Matheus Cadorin, Deputado Estadual (Novo-SC) e presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, ressaltou que segurança digital deve ser tratada como uma questão de segurança pública, e não apenas como um tema de tecnologia. Segundo ele, a resistência à inovação dentro das estruturas governamentais ainda é um dos principais desafios para acelerar essa transformação.
O parlamentar abriu a agenda de conteúdo do Security Leaders Florianópolis e destacou que o principal obstáculo para enfrentar a criminalidade virtual não é a falta de tecnologia, mas a lentidão institucional e a dificuldade do Estado em adotar novas soluções. “O crime já é digital, mas o Estado continua muito analógico. Em segundos fazemos um Pix, em poucos segundos um criminoso comete um golpe, mas a resposta do poder público ainda leva muito tempo”, afirmou.
Santa Catarina e a corrida contra o crime digital
Durante a apresentação, Cadorin explanou sobre o cenário de crescimento dos golpes virtuais em Santa Catarina e, apesar de o estado ser reconhecido pela segurança no ambiente físico, ele se tornou um dos principais focos de crimes digitais no país, concentrando cerca de 25% das denúncias registradas no Brasil. O deputado reforço que esse número pode ser ainda maior devido à subnotificação, já que muitas vítimas deixam de procurar as autoridades.
Segundo ele, os criminosos passaram a explorar técnicas sofisticadas de engenharia social, utilizando ligações, aplicativos de mensagens e redes sociais para criar situações de confiança e aplicar fraudes financeiras. Como resposta, Cadorin apresentou iniciativas desenvolvidas no estado, entre elas a criação da mais moderna delegacia de combate a crimes virtuais de Santa Catarina, estruturada por meio de uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, com apoio da empresa Armazém Cloud.
A solução ampliou a capacidade de investigação da Polícia Civil, permitindo mais agilidade em processos como análise e extração de dados de dispositivos apreendidos. Para o deputado, essa colaboração entre Estado e iniciativa privada demonstra que a tecnologia deve ser encarada sob uma nova ótica pelas estruturas de governo. “O crime digital não é um problema de TI, assim como a questão da tecnologia também não é. Isso é um problema institucional e de segurança pública”, afirmou.
Além da infraestrutura policial, Cadorin também destacou mudanças legislativas para acompanhar a evolução das ameaças, incluindo a atualização das normas para contemplar golpes aplicados por meio de bots, chatbots, aplicativos de mensagens e redes sociais.
O papel da Inteligência Artificial
Outro ponto abordado foi o uso de dados e IA na gestão pública, o deputado defendeu que decisões precisam ser tomadas com base em informações concretas e não apenas em respostas imediatas a crises. “A inovação também está relacionada à melhoria de processos e à capacidade de tornar serviços públicos mais eficientes. O futuro será dividido entre quem usa dados e quem usa achismo”, declarou.
Ao finalizar sua participação, Cadorin reforçou que o setor de tecnologia precisa estar mais próximo das decisões públicas para contribuir com a construção de um Estado mais preparado para os desafios digitais. “O Estado precisa inovar, o crime está inovando, as empresas estão inovando, a sociedade está inovando. O Estado também precisa acompanhar essa inovação”, concluiu.