Um clique pode ser suficiente para colocar em risco dados sensíveis e a reputação de uma empresa inteira. Análise da Redbelt Security aponta que executivos se tornaram os alvos principais de campanhas de phishing direcionado, esse levantamento destaca que o tempo de resposta passou a ser o fator decisivo para separar um incidente contido de uma crise corporativa de grandes proporções.
Dados recentes reforçam a dimensão do problema. No Brasil, os ataques de phishing cresceram 80% em um ano, ultrapassando 553 milhões de tentativas bloqueadas, segundo a Kaspersky. No cenário global, o phishing segue entre os principais vetores de invasão e aparece em cerca de 16% das violações de dados, de acordo com o relatório Data Breach Investigations Report (DBIR), da Verizon. O impacto, porém, tende a ser maior, já que cerca de 60% das violações envolvem o fator humano e o roubo prévio de credenciais.
“Os ataques ficaram mais direcionados. Hoje, o criminoso observa a rotina, entende quem decide e usa urgência para forçar uma resposta rápida. Executivos acabam sendo alvos naturais porque concentram acesso e poder de decisão”, afirma Marcos Sena, gerente de SOC da Redbelt Security.
Quando um executivo tem sua conta comprometida, o impacto é imediato e escalável. Além do acesso a e-mails e sistemas internos, ataques desse tipo evoluem para fraudes financeiras, vazamento de dados estratégicos e golpes em cadeia contra parceiros e clientes.
Marcos Sena lembra que a margem de manobra costuma ser menor do que as empresas esperam: “Na maioria dos casos, o problema não é a invasão em si, mas o tempo que a empresa leva para reagir. Quando a resposta demora, o criminoso já avançou para outros sistemas ou iniciou algum tipo de fraude.”
Segundo a Redbelt Security, a resposta precisa ser imediata e estruturada. Nos primeiros minutos, o foco deve ser conter o acesso indevido, redefinindo senhas, revogando sessões ativas, forçando o logout em todos os dispositivos e isolando o aparelho da rede.
Entre 10 e 30 minutos, a prioridade passa a ser a análise de logs para mapear a extensão do comprometimento e checar movimentações suspeitas. Após uma hora, deve-se reforçar a autenticação multifator, notificar equipes de TI, alinhar o ocorrido de forma transparente com a diretoria e orientar parceiros se houver impacto externo.
Ainda segundo Sena, esse protocolo só funciona se o executivo atingido souber exatamente a quem recorrer no instante seguinte ao erro: “Treinar a equipe de segurança resolve a primeira hora. A lacuna que ainda derruba empresas inteiras costuma estar nos primeiros segundos, antes mesmo de a equipe de segurança saber que algo aconteceu.”