O Global Data Sovereignty Report 2026, estudo global que ouviu 2.100 líderes em oito países, revela que 88% dos executivos C-level temem perder o emprego em caso de falha na soberania de dados. Além disso, 91% temem prejuízos financeiros e danos à reputação. Apesar do alerta, 64% das organizações operam sem uma estratégia formal para a gestão de dados, expondo vulnerabilidades operacionais diante das incertezas geopolíticas e do avanço da inteligência artificial.
A pesquisa aponta que 90% das empresas reconhecem a soberania de dados como uma preocupação central, e 85% estão dispostas a abrir mão de funcionalidades avançadas para contratar fornecedores locais ou soberanos. Paralelamente, 40% já limitam o uso de provedores SaaS com infraestrutura fora do país. No entanto, 62% não possuem visibilidade sobre quem acessa e gerencia seus dados, e 56% não têm planos de contingência contra paralisações de serviços ou extração de dados por fatores geopolíticos.
“No Brasil, temos observado empresas reavaliando onde manter seus dados mais sensíveis à medida que os projetos de IA avançam dos testes para a produção. Custos, requisitos regulatórios e a necessidade de maior controle sobre os dados estão levando algumas empresas a reconsiderar o que manter na nuvem e o que faz mais sentido trazer para sua própria infraestrutura ou para data centers de terceiros. Ao mesmo tempo, avançar com IA exige uma base sólida de dados, com qualidade, governança e políticas claras de gestão. São temas que vêm ganhando espaço nas discussões com as empresas brasileiras”, explica Claudio Tancredi, country manager da EverPure no Brasil.
O levantamento também aponta que 56% das organizações admitem não ter competências para executar iniciativas de soberania, enquanto 36% enfrentam dificuldades para obter apoio da alta liderança. Nesse contexto, apenas 9% priorizam a proteção contra o acesso a dados por autoridades estrangeiras. Os resultados evidenciam uma lacuna entre o reconhecimento dos riscos e o preparo operacional, já que muitas companhias ainda tratam o tema apenas como rotina de cibersegurança ou conformidade, sem assegurar o controle efetivo sobre suas informações.
“Os líderes seniores entendem que seus empregos estão em jogo quando se trata de soberania de dados, mas muitos ainda se concentram nos riscos errados. A soberania não diz respeito apenas ao local onde os dados são armazenados, mas à visibilidade e ao controle completos sobre eles por meio de uma gestão moderna de dados. Quem pode acessar os dados, quais jurisdições se aplicam e se os dados ou serviços críticos para o negócio podem sofrer interrupções são perguntas fundamentais que toda organização deveria fazer”, diz Alex McMullan, diretor internacional de Tecnologia da Everpure.
“A soberania digital deixou de ser uma discussão sobre conformidade e se tornou uma preocupação crítica para os conselhos de administração. O desafio para os executivos não se limita a saber onde seus dados estão hospedados. Trata-se de ter controle total sobre todos os acessos e transferências de dados, incluindo todos os metadados, assegurar proteção contra solicitações extraterritoriais de dados e gerenciar os riscos de TI e de fornecedores diante das incertezas geopolíticas”, diz Rahiel Nasir, diretor de pesquisa e analista principal de Soberania Digital Mundial da IDC.
Para mitigar a exposição a riscos, especialistas recomendam a adoção da soberania desde a concepção (soberania by design), aplicando controles de governança de acordo com o risco de cada conjunto de dados e aplicação. Essa abordagem permite proteger ativos críticos e alinhar o apetite ao risco de cada organização, garantindo controle sobre os dados e transformando a governança em resiliência e vantagem competitiva, sem abrir mão da escala oferecida pela nuvem.