Pais no Brasil temem impacto futuro da exposição digital de seus filhos

Pesquisa da Norton revela que 85% dos pais se preocupam com fotos e informações publicadas online, enquanto metade cria a pegada digital das crianças antes dos três anos

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Muito antes de ganharem o primeiro celular ou criarem contas em redes sociais, a maioria das crianças já possui uma presença digital construída pelos adultos. Momentos como aniversários e viagens passam a compor um histórico que permanece disponível por anos. Segundo o estudo Norton Insights Report: Connected Kids, da Norton, 85% dos pais de menores de 18 anos no Brasil temem que esse histórico cause impactos negativos no futuro, enquanto 50% começam a publicar conteúdos dos filhos antes de eles completarem três anos.

 

A prática do sharenting, o compartilhamento frequente da vida das crianças por familiares, começa nos primeiros meses. O levantamento mostra que 30% dos pais publicam a primeira imagem do bebê antes do primeiro ano de vida, e outros 20% o fazem entre um e dois anos. Com isso, metade das crianças já tem dados e imagens expostos antes de atingir a primeira infância, criando um rastro digital que não puderam escolher tornar público.

 

“Compartilhar uma foto em família pode parecer um momento passageiro, mas o conteúdo pode permanecer indefinitivamente e circular além do público original”, alerta Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Norton. “A inteligência artificial acrescenta uma nova dimensão porque precisamos pensar no que pode acontecer com a imagem. Isso exige decisões mais conscientes sobre a identidade digital que estamos criando para nossos filhos.”

 

As preocupações vão além dos registros familiares. Quase a totalidade dos pais brasileiros (95%) avalia que as crianças são expostas cedo demais a conteúdos inadequados, e 36% admitem que os filhos criaram contas em redes sociais antes da idade mínima permitida. Além disso, 70% temem a exposição a material adulto ou violento, 66% se preocupam com mensagens inadequadas, 65% temem contatos com estranhos e mais de 50% receiam o vazamento de localização e dados pessoais.

 

Para reduzir riscos sem isolar a família do ambiente digital, especialistas recomendam práticas simples de proteção. Entre as orientações estão checar se as imagens revelam uniformes, endereços ou rotinas em tempo real, restringir o público das publicações a grupos privados, evitar expor dados de localização e conversar com as crianças sobre a privacidade de suas próprias imagens à medida que crescem.

 

A pesquisa aponta que 89% dos pais se sentem confortáveis para orientar os filhos sobre riscos virtuais, como golpes e abordagens de estranhos, e 59% já adotam medidas preventivas contra o uso indevido de ferramentas de IA. Construir esses hábitos desde cedo é essencial para garantir que as crianças mantenham o controle sobre a própria identidade quando começarem a gerenciar sua vida digital.

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