Pagamentos e SI: Quais os caminhos para enfrentar fraudes adaptadas ao Pix?

Apesar do alto padrão de Segurança mantido pelo sistema financeiro sobre o Pix, ações fraudulentas mirando o meio de pagamento mais importantes do país ainda seguem ocorrendo em grande intensidade. O Gerente de Prevenção a Fraudes do Banco Bari e Coordenador da Comissão de Prevenção a Fraudes da ABBC, Marcelo Alves de Souza, a união entre poder público, instituições privadas e Banco Central será crucial para seguir mitigando essas ameaças

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Diante do processo de digitalização veloz do sistema financeiro do Brasil, garantir uma crescente maturidade e proteção ao meio de pagamento mais usado no país, o Pix, se tornou uma demanda de caráter urgente para o setor. Nesse sentido, assegurar os recursos reservas dos bancos e mitigar atividades fraudulentas é uma responsabilidade a ser compartilhada tanto pelas instituições privadas quanto pelo Banco Central brasileiro e pelo poder público Nacional.

 

Essa análise foi apontada pelo Gerente de Prevenção a Fraudes do Banco Bari e Coordenador da Comissão de Prevenção a Fraudes da Associação Nacional dos Bancos (ABBC), Marcelo Alves de Souza, em entrevista para a Security Report. Ele relembra que fraudes mirando as contas reservas utilizadas no Pix se intensificaram a partir da metade de 2025, com os ataques cibernéticos mirando as Parceiras de Serviços de TI (PSTIs) dos bancos.

 

Contudo, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, foram registrados outros 12 incidentes fraudulentos seguindo o mesmo trajeto, indicando que essa é uma tendência que permanece. A grande diferença para esse ano, todavia, está na intensidade das fraudes, que reincidem nos ataques contra as mesmas instituições, e, por meio de automação com Inteligência Artificial, reforçam a capacidade dos ataques.

 

“Vale dizer que o modus operandi dessas fraudes segue a mesma: comprometimento de credenciais das PSTIs que viabilizam desvio dos recursos reservas dos bancos, sem atingir diretamente os clientes e usuários do Pix. Porém, o fluxo de fraudes se acelerou na medida que diversas instituições são atingidas ao mesmo tempo, por meio dessa via de acesso, tem os recursos roubados e rapidamente lavados”, explica Souza.

 

Apesar desse cenário, o executivo reforça que o desafio não está necessariamente na ferramenta do Pix, mas na indústria de fraude que afeta o Brasil. Isso porque o estelionatário já existia antes desse meio de pagamento, e apenas viu ali uma forma mais simples e rentável de agir. A ideia da fraude, segundo ele, é que a fraude acompanha o desenvolvimento tecnológico buscando ampliar o custo-benefício de suas operações.

 

Nesse sentido, enfrentar o mercado fraudulento envolve ampliar a capacidade de proteção e resiliência do Pix, mas ir além disso, mirando desarticular a atividade dos fraudadores. Isso inclui ampliar a governança conjunta das instituições financeiras, incluindo maior monitoramento sobre cadastros e transações suspeitas, bem como redução do limite de saques em uma mesma transação.

 

Além disso, Souza também defende a atuação reguladora do Banco Central do Brasil, na condição de parceira fundamental dos bancos. “Além de identificar essas vulnerabilidades e atuar na mitigação, as demandas por boas práticas e supervisão do mercado financeiro é crucial para que o setor mantenha um nível de maturidade capaz de fazer frente a esses riscos. Isso nos permite, enquanto instituições, garantir nosso próprio nível de controle”, comenta ele.

 

Ajuste do Código Penal e responsabilidade compartilhada

Souza acrescenta também a importância da participação da população bancarizada e seus representantes públicos no fortalecimento do combate às fraudes. Citando como exemplo recente a Lei 15.397/26, que tipificou o crime de conta laranja, o Gerente reforça que a responsabilidade compartilhada entre todos os setores da sociedade é vital para desarticular a indústria fraudulenta do país.

 

“Agora, a conta laranja vai ser tratada como um crime financeiro, que tem tipificação expressa no artigo 171 do Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a 6 anos, mais multa. As contas laranja são essenciais para triangular o movimento das fraudes e, assim, desbaratar caminhos usados para lavar esse dinheiro. É uma mudança que demorou a chegar, mas que chegou em ótima hora”, elogia Souza.

 

O executivo reforçou, porém, que esse trabalho deverá permanecer contínuo. “O fato é que não vamos erradicar completamente esses incidentes. Porém devemos avançar na sua mitigação e monitoramento, de forma a tornar tanto o Pix como as movimentações financeiras protegidas o suficiente para que esse caminho deixe de ser vantajoso para o criminoso. Neste momento, eu vejo todos esses agentes comprometidos com isso”, conclui.

 

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