Mercado Cyber abre espaço para liderança feminina?

Diversidade e inclusão nas equipes de SI são aspectos que vêm ganhando força no Brasil, mas a liderança feminina dos times de Segurança da Informação ainda é um paradigma a ser quebrado, na visão de mulheres em cyber, ouvidas pela Security Report

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O Dia Internacional da Mulher, comemorado anualmente em 08 de março, deve ser sempre lembrado com alegria. Uma data oportuna para reflexão sobre todos os desafios já vencidos em prol de uma sociedade mais integrada, inclusive no segmento de Cyber. De acordo com dados da pesquisa Women in Business, da Grant Thornton, realizada com mais de 250 empresas, 35% dos cargos de CEO nas organizações no Brasil são ocupados por mulheres. Entre as cadeiras de liderança, incluindo funções de diretora executiva e diretora administrativa, a proporção é de 32%, um crescimento de 11% nos últimos 10 anos.

 

A liderança feminina nas equipes de Segurança da Informação ainda é um paradigma a ser quebrado. Uma pesquisa da edtech Gama Academy destacou que a contratação de mulheres é o maior desafio para as empresas do setor de TI. Entre os motivos pela resistência de contar com mulheres nos times estão: falta de qualificação, ausência de habilidades técnicas, entre outros.

 

“Grupos e Comunidades de engajamento de mulheres estão mudando essa realidade trazendo o tema como apoio a essa quebra de paradigma. Em paralelo, iniciativas com grandes empresas trazem programas de capacitação voltado para o público feminino. Companhias estão adotando o conceito de diversidade definindo ‘cotas’ de mulheres em cargos de liderança e em programas antes destinados exclusivamente aos homens”, avalia Cristiane Dias, Head de Cyber Security na Aegea.

 

Para o futuro, a executiva enxerga boas perspectivas, avaliando que muitas organizações estão caminhando e investindo também na capacitação de mulheres não apenas em Cyber. Ela destaca também que as empresas têm se preocupado em criar ambientes diversos e inclusivos almejando bons resultados nos negócios. “As pessoas tendem a se sentir estimuladas a contribuir com novas ideias e, assim, promovem maior inovação em produtos e serviços. A sociedade ganha com apoio e investimentos cada vez mais direcionados à diversidade e à inclusão”, acrescenta.

 

Juliana Piravi, Gerente de Segurança da Informação no Grupo Cimed, assumiu recentemente a posição na empresa e, durante o Security Leaders, comentou que em seu time, 60% são mulheres, o que já é um grande motivo de comemoração, mas que pretende ir cada vez mais longe com objetivo de quebrar quaisquer tipos de barreiras. Uma das iniciativas foi levar o tema junto ao RH da organização.

 

A conquista da posição

Na visão da Karina Queiroz, CEO & Founder na TecKids, as mulheres que possuem contato com o segmento Cyber, tanto nas empresas quanto nas universidades ou em áreas correlatas, estão de alguma forma ampliando a capilaridade da presença feminina no setor. Segundo Karina, o mercado não absorve profissionais mulheres rapidamente porque há uma quantidade maior de homens se formando em tecnologia.

 

“Muitas mulheres começam na área de desenvolvimento, que pode ser um salto importante para o mercado de Segurança da Informação, mas acabam desenvolvendo aplicativos, jogos e entrando em outras funções. Por isso, acredito que Cyber Security é um campo que precisa ser mais esclarecido, divulgado e atrativo, as salas de aula das universidades ainda estão lotadas de homens”, pontua a profissional.

 

Cristiane Dias, chama atenção para o mesmo ponto. Ela ressalta que, nos últimos anos, as mulheres conquistaram mais espaço nas carreiras de Cyber, mas este ainda é um universo masculino. “Em partes, devido à falta de cultura referente ao potencial que a área oferece também ao sexo feminino. Historicamente, adotamos que a carreira ‘técnica’ é destinada aos homens e pouco se fala do quão promissora essa área pode ser para mulheres que possuem interesse ou aptidão à tecnologia”, pontua Cristiane.

 

Para ela, esse assunto deve ser difundido nas escolas em discussões sobre carreira para que crianças e jovens tenham acesso à informação. “Outro ponto importante é abrir programas de Trainees para Mulheres em Cyber. Algumas iniciativas estão avançando nesse sentido, mas ainda estão bem tímidas em relação ao cenário atual”, observa a executiva.

 

De acordo com Karina, o maior desafio ainda é o cultural, pois existe preconceito com a mulher por lidar com questões pessoais com mais frequência do que o sexo oposto, além de não ser considerada a mais adequada para assumir algumas responsabilidades. “Um dilema que a sociedade criou e que ainda perdura em empresas mais preconceituosas e despreparadas. Cyber Security é uma área que exige pontos de vista de profissionais com diversas experiências”, completa.

 

Cristiane compartilha o mesmo ponto de vista sobre a existência do preconceito em algumas empresas em colocar mulheres na liderança e não apenas na área de Cyber. “As alegações são muitas, mas a principal é devido à maternidade atrapalhar as entregas. Felizmente, esse é um cenário que vem mudando consideravelmente”, afirma, acrescentando que a equiparação salarial vem ganhando força, mas ainda existem diferenças.

 

Educação digital  

A conscientização sobre os riscos cibernéticos em ambientes digitais é essencial para todos os usuários, principalmente as crianças que estão crescendo em um mundo altamente conectado. Para aumentar essa maturidade e explicar de maneira didática aos pequenos, Karina Queiroz criou, em 2012, o TecKids, um programa que desenvolve iniciativas de educação e projetos de apoio à proteção à criança online por profissionais de tecnologia e Cyber Security.

 

O projeto tem como objetivo engajar crianças e adolescentes a aprender sobre a internet, desinformação e perigos de navegação. Posteriormente, ela promoveu palestras em condomínios, escolas e redes sociais através de conteúdos e páginas do projeto.

 

Segundo Karina, por diversos motivos muitos pais e responsáveis legais pelas crianças e jovens não têm conhecimento dos riscos e perigos da internet. “O maior desafio que eu vejo em mitigar esses riscos é fazer com que a educação chegue às crianças, pois falta conhecimento em toda a rede de proteção, inclusive em iniciativas e políticas públicas”, explica a CEO e & Founder na TecKids.

 

Ao longo do projeto, algumas frentes de ação para certificar escolas em proteção à criança online foram desenvolvidas, bem como para educadores. Karina também desenvolveu uma certificação para adolescentes de 14 anos para iniciarem a carreira em Cyber. Ela ressalta a importância em despertar nos jovens, especialmente nas meninas, o interesse pela tecnologia por meio de jogos, gamificação e ações sociais.

 

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