Infraestrutura crítica: o próximo grande alvo dos ciberataques

De acordo com o relatório “Global Cybersecurity Outlook 2025”, divulgado pelo World Economic Forum no início deste ano, a Cibersegurança já deixou de ser assunto apenas de empresas que precisam proteger suas informações, e devido a isso, as sociedades enfrentam um cenário em que os serviços básicos se tornarão os alvos

Compartilhar:

Por Renato Batista*
A cibersegurança já deixou de ser assunto apenas de empresas que precisam proteger suas informações ou de pessoas comuns preocupadas com tentativas de golpes virtuais. Ela abrange agora a segurança humana e precisa se voltar para proteger a própria sociedade.
A conclusão acima é do relatório “Global Cybersecurity Outlook 2025”, divulgado pelo World Economic Forum no início deste ano. E não se trata de um falso alarde ou de uma previsão catastrófica para um futuro distante. Estamos adentrando em um cenário em que governos serão desafiados com pedidos de pagamentos de resgate para que serviços básicos voltem a operar.
Quais são as razões para esse futuro de curto prazo? Os rápidos avanços tecnológicos, a entrada em peso do crime organizado no mundo dos cibercriminosos e tensões geopolíticas representam riscos significativos para a infraestrutura crítica, que depende de redes de dispositivos interconectados e sistemas legados. A guerra na Ucrânia é o melhor exemplo disso. Setores de abastecimento de água e eletricidade, e de telecomunicações, têm sofrido repetidos ataques cibernéticos desde o início do conflito. Geralmente, o objetivo é interromper o controle dos sistemas e comprometer dados. Vamos compreender as minúcias de cada um desses setores, e os motivos de estarem em perigo:
Abastecimento de água: de acordo com o relatório do WEF, ataques cibernéticos a instalações de água representam significativos riscos para a segurança pública e nacional. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança de Cibersegurança e Infraestrutura (CISA) afirma que as instalações de água têm pontos de acesso remoto e softwares desatualizados, fragilidades que podem ser exploradas por cibercriminosos para interrupção de tratamento de água e contaminação ou interrupção do suprimento. E já houve um caso. No ano passado, um ataque digital levou a maior concessionária de água dos EUA a interromper operações.
Comunicações: a tensão geopolítica tem resultado, nos últimos anos, em ciberataques contra satélites e outros sistemas de comunicação. Em 2022, no dia da invasão da Ucrânia pela Rússia, hackers atacaram a rede de internet via satélite ViaSat na Europa, resultando na interrupção do serviço para ucranianos e cidadãos de outros países da região. Desde então, 142 outros ataques aconteceram no contexto da guerra da Ucrânia.
Biossegurança: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ciberataques podem representar riscos potencialmente catastróficos para a biossegurança global. Um relatório da OMS de 2024 destacou várias maneiras de como ameaças cibernéticas podem comprometer a biossegurança, incluindo acesso a dados confidenciais ou pesquisas, interrupção dos sistemas de segurança do laboratório, roubo ou sabotagem e vazamento de dados genômicos pessoais – o que já aconteceu em 2023, com o ataque a uma empresa de testes genéticos que expôs dados de quase 7 milhões de pessoas.
Energia: a Inteligência Artificial e outras tecnologias de ponta necessitam de grandes volumes de energia para operar, o que levará a um enorme crescimento do consumo de eletricidade em um futuro próximo. A crise climática, por outro lado, está direcionando investimentos em formas renováveis de energia. No contexto digital em que vivemos, a criação desses sistemas novos deve considerar a segurança em primeiro lugar desde o início do projeto, com os objetivos de impedir ataques e de permitir a retomada urgente das operações no caso de um ataque de sucesso. No projeto de um software, por exemplo, a metodologia DevSecOps faz com que a segurança seja item essencial já a partir da fase inicial.
O relatório do WEF conclui que a complexidade crescente do ciberespaço e as tensões geopolíticas e suas consequências representam um grande desafio para empresas, organizações e governos. E ele tem razão. Aproxima-se o tempo em que os sistemas críticos começarão a sofrer mais e mais ataques digitais, e nesse contexto desafiador, a segurança deve ser conceito a ser considerado em todas as fases de um projeto.
*Renato Batista é CEO da Netglobe Cyber Security

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes

Decisão exige eliminação de dados coletados indevidamente e impõe plano de conformidade rígido com suspensão de anúncios e novas regras...
Security Report | Overview

Valid aposta em multibiometria e plataforma modular contra fraudes no setor financeiro

Na FEBRABAN TECH 2026, multinacional brasileira demonstra como sua Plataforma de Segurança Digital integra soluções para blindar jornadas sem gerar...
Security Report | Overview

Setor financeiro enfrenta alta de 9,5% nas tentativas de fraude de identidade no 1º semestre

Tecnologias de prevenção barraram 1,7 milhão de investidas e protegeram mais de R$ 100 milhões no período
Security Report | Overview

Bancos levam até 12 dias para recuperar aplicações críticas após ataques cibernéticos

Análise da Everpure mostra que a restauração de dados se tornou o principal gargalo da resiliência operacional no setor financeiro