Disparo falso da Defesa Civil: O que incidente representa de risco de credenciais roubadas

Uso de acessos legítimos respondeu por 25% dos vetores de entrada em ataques globais investigados pela empresa; especialistas explicam como criminosos burlam defesas e entram pela porta da frente dos sistemas

Compartilhar:

O sistema de alertas extremos da Defesa Civil, que avisa a população sobre emergências climáticas iminentes, sofreu um disparo não autorizado na madrugada do último sábado (20). Moradores de pelo menos sete estados relataram ter sido surpreendidos por avisos sonoros e mensagens contendo a palavra “misantropia”, caso que é investigado pela Polícia Federal sob a suspeita de que credenciais comprometidas permitiram o acesso à plataforma. 

  

Dados do relatório Anatomia de um Mundo Cibernético, da Kaspersky Security Services, mostram que o uso de credenciais válidas respondeu por 25% dos vetores de entrada em incidentes identificados mundialmente em 2025. Ao obter logins e senhas reais, o invasor burla soluções tradicionais de segurança sem precisar de técnicas complexas de invasão. Esse vetor de ataque ficou atrás apenas da exploração de aplicações expostas na internet, responsável por 44% dos casos. 

  

Para conseguir acessos válidos, os cibercriminosos utilizam os infostealers, pragas que roubam silenciosamente senhas corporativas e cookies salvos em navegadores. Essa ciberameaça está em forte crescimento no país, em 2025, as soluções de endpoint da Kaspersky registraram mais de 43.000 bloqueios relacionados a esses malwares no Brasil, o que representa um aumento de 25% em comparação com as 34.500 tentativas barradas no ano anterior. 

  

Quando o programa malicioso obtém sucesso, os dados abastecem mercados de venda de acessos na dark web. O monitoramento da Kaspersky Digital Footprint Intelligence (DFI) revela que mais de 37 milhões de registros de brasileiros foram vazados por essa via, sendo 5,6 milhões de contas ligadas diretamente a funcionários públicos. Outras invasões ocorrem via relações confiáveis, quando criminosos atacam prestadores de serviços terceirizados com acesso à rede principal, cenário que responde por 16% dos casos. 

  

“Ainda que não haja confirmação oficial de como os invasores acessaram o sistema da Defesa Civil, o roubo de credenciais de colaboradores por meio de infostealers é uma das hipóteses mais prováveis, especialmente se houver uso de dispositivos pessoais desprotegidos para acessar sistemas corporativos. Os criminosos não precisam quebrar defesas complexas quando conseguem simplesmente entrar usando login e senha válidos comprados na dark web”, afirma Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky. 

  

Para mitigar o impacto de vazamentos, organizações públicas e privadas precisam adotar medidas de proteção contínuas em seus processos. Isso inclui a exigência de Autenticação Multifator (MFA) em painéis administrativos, o monitoramento preventivo de domínios expostos na dark web, a proibição de armazenar senhas de trabalho em navegadores pessoais e o treinamento constante de colaboradores para reconhecer golpes de phishing. 

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Empresas adotam agentes de IA sem visibilidade sobre seus dados

Análise da Veeam Software alerta que organizações utilizam IA em larga escala no Mês da Conscientização em Cibersegurança, mas ainda...
Security Report | Overview

Itaú Unibanco evolui Modo Protegido e passa a ocultar dados de investimentos no Superapp

Nova camada de segurança oculta automaticamente valores e informações da carteira fora de redes Wi-Fi confiáveis, ampliando a privacidade e...
Security Report | Overview

IA acelera disputa cibernética: invasores exploram falhas em apenas 24 horas após divulgação

Relatório da Trellix revela como criminosos usam inteligência artificial para agir rápido, camuflar-se em infraestruturas legítimas e atacar a cadeia...
Security Report | Overview

Brasil atinge 58% de compras digitais e exige estratégias contra fraudes sem atrito na venda

Uso de inteligência analítica e modelos preditivos permite bloquear golpes sem prejudicar a experiência do consumidor legítimo no e-commerce