Cyber e inovação: como o Grêmio orquestra proteção de dados em grandes espetáculos

Em palestra no Security Leaders Porto Alegre, Diego Baldi, Head de TI e Cibersegurança do clube gaúcho, defende que a segurança digital deve abandonar o papel de freio operacional para se transformar no principal pilar de experiência e sustentabilidade dos negócios

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A Cibersegurança não é mais um centro de custo ou um freio operacional, mas uma habilitadora de inovação acelerada e vantagem competitiva de todos os tipos de organizações. Essa foi a principal provocação levada ao palco do Security Leaders Porto Alegre por Diego Baldi, Head de TI, Cloud Computing & Security do Grêmio FBPA, que compartilhou os bastidores tecnológicos e os desafios de Segurança que envolvem a gestão de um estádio multiuso de grande porte. 

  

Viver o interior de um clube de futebol nos últimos anos inclui, para o executivo, uma jornada de profunda transformação digital e resiliência. Baldi relembrou o impacto da contratação do astro Luis Suárez em 2023, um evento que esticou o elástico da vida real na infraestrutura do Grêmio, gerando uma explosão de demandas, patrocínios e acessos. “Um momento gigantesco na realidade do clube, mas que também representa demandas de proteção, com pressão para entregar resultados e garantir o pleno relacionamento com patrocinadores, gestão, tecnologias, entre outros”.

 

Mais recentemente, a equipe enfrentou cenários extremos de infraestrutura corporativa, operando sob forte pressão para garantir a continuidade dos serviços. Isso inclui principalmente lidar com picos massivos de acessos, como o registrado em julho de 2025, quando uma mobilização institucional fez as requisições de associação do clube saltarem de 850 para 64 mil em apenas dois minutos, testando os limites operacionais da plataforma. 

  

No ecossistema da Arena do Grêmio, o clube esportivo caminha para a marca de 480 mil biometrias faciais cadastradas em seu banco de dados. Em dias de jogo, o sistema precisa processar a entrada de mais de 50 mil pessoas em um intervalo de duas horas, enfrentando picos de 800 pessoas por minuto nos momentos que antecedem o início da partida. “Toda essa complexidade do que a gente não vê é o que garante a experiência do que a gente sente. Quando tudo funciona como deve, a tecnologia desaparece, e o que fica é a emoção”, pontua Baldi. 

  

Toda essa operação digitalizada exige uma retaguarda de Segurança Cibernética robusta para proteger a marca e garantir a sustentabilidade do negócio. O Head de TI destacou que a área de Cyber tem atuado diretamente no combate à pirataria e a fraudes digitais. Somente no último ano, mais de 20 sites falsos foram derrubados por meio de ações de takedown, culminando em uma operação da Polícia Civil em Ribeirão Preto que desmantelou uma quadrilha especializada na venda ilegal de produtos falsificados do Grêmio. 

  

Para Baldi, o sucesso dessa engrenagem depende da capacidade dos profissionais de tecnologia de traduzirem a “sopa de letrinhas” técnica, composta por siglas como SOC, SIEM e SOAR, em valor real para as áreas de negócio, marketing e comercial. O executivo revelou que, a partir do segundo semestre, um projeto inovador fará o estádio gremista ser um dos dez no mundo – o primeiro abaixo da linha do Equador – a possuir rede Wi-Fi 7, viabilizando serviços voltados para a conveniência e experiência do usuário, permitindo o consumo de produtos diretamente da cadeira via aplicativo.

 

“A galera está começando a entender que, de fato, a gente precisa vender A Cyber. E isso precisa estar lá naquela primeira reunião comercial, lá naquela reunião de marketing, para que a gente consiga, desde o início, conceituar aquele produto novo que está nascendo, para que a gente depois não tenha que sair correndo, apagando incêndio. temos que garantir que estaremos sempre juntos do projeto”, alerta o diretor.

  

No entanto, o maior divisor de águas para a Segurança de infraestruturas críticas no horizonte é a chegada da computação quântica e a necessidade de transição para modelos criptográficos mais resistentes. Embora a tecnologia prometa revolucionar o processamento de dados e otimizar os sistemas inteligentes de monitoramento e logística em tempo real, ela traz consigo o risco de tornar obsoletos os algoritmos que protegem as bases de dados biométricos atuais, as transações financeiras e as chaves de API das organizações. 

  

Preparar os ambientes corporativos para essa nova era, adotando padrões resistentes a ataques quânticos antes que essas máquinas se tornem comerciais, é o exemplo definitivo de como a Cibersegurança atua na inovação sustentável. Ao antecipar essas ameaças futuras e blindar o patrimônio digital em tempo de execução, de acordo com Baldi, a tecnologia cumpre o seu papel mais nobre: operando silenciosamente para que, na superfície, o usuário final possa desfrutar da inovação com Segurança. 

 

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