Ciberfraude transnacional se combate com cooperação e novas tecnologias

Em nova edição do evento Febraban SEC, lideranças da Polícia Federal e da Interpol apontaram para o crescimento de operações de fraude bancária digital com operações pulverizadas em diversas localizações do mundo. Nesse sentido, ampliar a coordenação internacional e o uso de tecnologias de ponta, com vistas a acelerar processos de coerção da lei, se torna fundamental

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A realidade das fraudes e outros crimes financeiros ativos no ciberespaço é supranacional, tornando sua detecção e combate cada vez mais desafiadora. Nesse contexto, lideranças da Polícia Federal, da Interpol e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defenderam uma ampliação da cooperação entre as autoridades polícias dos países e destes com a iniciativa privada, em espaços como inovação, troca de dados e repressão efetiva das ocorrências.

 

Os posicionamentos foram apresentados durante a abertura do FEBRABAN SEC 2026, evento organizado pela Federação em São Paulo hoje (18). Nesse período, o Secretário Geral da Interpol, Waldecy Uquiza, citou dados internos da instituição, reforçando os ataques de Business E-mail Compromising (BEC), ofertas de entregas fraudulentas e incidentes de sextortion são algumas das ocorrências mais comuns do último ano.

 

Nesse sentido, o caráter transnacional dessas operações criminosas se torna latente. Isso porque os agentes de ameaça buscam disseminar toda a cadeia de ataque em diversas regiões do mundo, dificultando os trabalhos de coerção das polícias locais. Essa realidade levou a um crescimento de 69% dos incidentes fraudulentos no continente europeu, de 60% na África e de 40% nas Américas, além de US$ 442 bilhões em perdas por fraudes e crimes cibernéticos correlacionados.

 

“Testemunhamos a industrialização da fraude, com o Crime Organizado dividindo tarefas, contratando serviços externos, uso intensivo de TI, com vistas a atingir um alcance global. É necessário ser realista e admitir que estamos longe de ver o pico dessa ameaça, nos fazendo esperar que ainda haverá crescimento de quantidade e qualidade dessas ameaças. Nesse sentido, nosso trabalho também precisa se industrializar”, explica Urquiza.

 

Seguindo na mesma linha, Andrei Rodrigues, Delegado Geral da Polícia Federal, defendeu a ampliação da cooperatividade das Polícias em todo o mundo, especialmente no contexto de parcerias estratégicas entre as instituições, a Interpol e as organizações financeiras privadas. Para Rodrigues, essa aproximação é fundamental para coordenar a resposta aos agentes fraudadores e, assim, atacar diretamente a geração de valor do crime digital.

 

O Delegado Geral também reforçou o uso amplo de novas tecnologias na repressão ao cibercrime, citando especialmente modelos superiores de processamento de dados e Inteligência Artificial. O objetivo desse caminho é acelerar a responsabilidade institucional da PF e colocá-la em condições de monitorar de forma melhor as estruturas de movimentação financeira do mundo contemporâneo.

 

“Nosso objetivo também é trazer a Polícia Federal para uma realidade ainda mais atualizada, capaz de lidar com os maiores padrões de Segurança e monitoramento diante de um crime cibernético que está, ao mesmo tempo, na América do Sul, na Europa e na Ásia. Nossas parcerias com Europol, Ameripol, organizações policiais locais, e o amplo uso de ferramentas de ponta tem aberto esse caminho para nós”, acrescenta o Delegado-Geral da Polícia.

 

Da parte das instituições privadas, o Presidente da Ferbaban, Isaac Sidney, reforçou que a proteção dos ambientes tecnológicos dos riscos de fraudes e outros crimes é uma responsabilidade de todo o sistema financeiro, e essencial para ampliar a confiança em um ambiente bancário e de pagamentos robusto como o do Brasil. O desafio está em preservar essa confiança em um ambiente digital cada vez mais complexo.

 

“Embora estejamos na fronteira do desenvolvimento tecnológico voltado ao setor financeiro, facilitando as demandas das pessoas e empresas bancarizadas do país, nunca estivemos tão expostos a riscos devido a essa mesma digitalização dos serviços financeiros. Se movimentamos esse importante caminho inovador, também é nossa responsabilidade apoiar o trabalho das autoridades no enfrentamento desses crimes”, concluiu.

 

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