Cibercriminosos brasileiros importam método de ataque

É a primeira vez que esta tática é usada no País e visa disseminar malware bancário no Brasil e Chile

Compartilhar:

Não é novidade que os cibercriminosos brasileiros tentam, constantemente, novas formas para enganar os usuários – mas não é sempre que eles criam técnicas. A Kaspersky Lab identificou uma campanha de malware bancário utilizando o método BOM para confundir scanners de e-mail e infectar as vítimas – esta é a primeira vez que a técnica é utilizada no País e tem como alvo correntistas brasileiros e chilenos.

 

Criados por criminosos russos para distribuir malware de sistemas Windows, essa técnica foi descoberta em 2013 e consiste em adicionar o prefixo BOM (Byte Order Mark) para evitar a detecção. Campanhas de malware bancários dependem das famosas mensagens de phishing para aumentar o número de vítimas. O desafio dos criminosos russos era confundir os scanners de e-mail, então eles criaram um arquivo .ZIP com cabeçalho modificado para conseguir entregar as mensagens maliciosas nas caixas de correio dos usuários.

 

Ao tentar abrir o arquivo compactado utilizando o visualizador padrão do Windows Explorer, o usuário visualizará uma mensagem de erro, dizendo que este está corrompido. Ao analisá-lo, os especialistas da Kaspersky Lab perceberam que o cabeçalho do ZIP contém três bytes extras (0xEFBBBF), que representam o (BOM), antes da assinatura “PK” (0x504B), que é o padrão do ZIP. Já o BOM é encontrado normalmente em arquivos de texto com codificação UTF-8. O ponto é que algumas ferramentas não irão reconhecer este arquivo como um ZIP, elas o lerão como um arquivo de texto e não conseguirão abri-lo.

 

Entretanto, programas como WinRAR e 7-Zip simplesmente ignoram o prefixo e irão extrair seu conteúdo corretamente. Uma vez que o usuário faça isso, ele será infectado. Quando isso acontece, o malware atuará como ponte para baixar o malware principal.

 

Após uma sequência de processos que visam evitar a detecção das ações maliciosas, é baixado o malware principal: variantes malware Banking RAT que fica inoperante na máquina da vítima até que esta tente acessar seu Internet banking. Neste momento, ele começa a capturar tokens, código de acesso, data de aniversário, senha de acesso, entre outras formas de autenticação bancária.

 

“Identificamos atividades da campanha maliciosas usando o método BOM contra correntistas brasileiros e chilenos. Tecnicamente, ela é engenhosa e, por isso, é ingênuo esperar que com seis anos desde seu descobrimento ela não será efetiva. Os únicos usuários que contam com uma solução de segurança premiada não correm muitos riscos, porém quem não tem nenhuma proteção está vulnerável”, afirma Thiago Marques, analista de segurança da Kaspersky Lab.

 

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

CERT.br lança Cartilha de Segurança para prevenir golpes online

Publicações detalham como a engenharia social é usada para ludibriar a população e ensinam a proteger contas e transações financeiras
Security Report | Overview

Industrialização do Cibercrime amplia impactos e danos, diz relatório

Adversários cibernéticos adotam modelos operacionais semelhantes aos de empresas para atingir todos os setores, exigindo melhoria na coordenação, visibilidade e...
Security Report | Overview

EUA restringe roteadores estrangeiros por riscos à Segurança

Medida da FCC visa fortalecer a cadeia de suprimentos cibernética e reduzir vulnerabilidades em dispositivos de borda, frequentemente negligenciados em...
Security Report | Overview

Webull Brasil eleva aprovação no onboarding para 92% com bloqueio de fraudes

Plataforma global de investimentos usa inteligência de risco multi-dispositivos para automatizar onboarding, combater abuso promocional e prevenir fraudes de acesso...