Ausência de legislação agrava crise da Cibersegurança no Brasil, alerta ASSESPRO

Sem marco legal, país expõe empresas e cidadãos a ataques digitais cada vez mais sofisticados com uso de inteligência artificial

Compartilhar:

O Brasil enfrenta uma escalada sem precedentes de crimes digitais e a ausência de uma legislação específica e eficaz em cibersegurança está deixando empresas e cidadãos ainda mais vulneráveis. Segundo o Panorama de Ameaças para a América Latina 2024, o país é o segundo mais atacado do mundo, com mais de 700 milhões de ataques cibernéticos registrados em apenas 12 meses, o que equivale a 1.379 por minuto. 

 

Para a Federação ASSESPRO-SP, a lacuna regulatória agrava uma crise que já é crítica. “Hoje, o Brasil não possui um marco legal claro, atualizado e eficaz para combater a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos. A ausência de uma legislação específica gera insegurança jurídica, dificulta punições e impede a construção de uma política nacional de proteção digital”, afirma Diogo Nakazawa de Lima, diretor de Cibersegurança da entidade.

 

O alerta vem em um momento de avanço rápido das ameaças alimentadas por inteligência artificial (IA). De acordo com o relatório The State of Cybersecurity in LATAM 2024, 55% das empresas brasileiras foram vítimas de ataques impulsionados por IA no último ano, acima da média da região (51%). O uso da tecnologia por cibercriminosos amplia o poder de destruição, permitindo fraudes em massa, ataques automatizados e invasões silenciosas.

 

A vulnerabilidade atinge não apenas empresas, mas também a população. Dados do DataSenado revelam que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos sofreram algum golpe digital nos 12 meses de 2024, o que representa mais de 40 milhões de vítimas em fraudes como clonagem de cartões, invasão de contas bancárias e roubo de identidade.

 

“Temos uma LGPD que trata da proteção de dados, mas não uma legislação abrangente voltada à segurança cibernética. Crimes digitais precisam de tratamento específico, com tipificações claras, medidas preventivas obrigatórias e políticas de resposta rápida. A legislação atual é insuficiente para lidar com o nível de ameaça que enfrentamos”, afirma Nakazawa.

 

O custo financeiro também é alto. Segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, uma violação de dados no Brasil custa, em média, R$ 6,75 milhões às empresas. E, de acordo com a ADDP (Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor), os crimes digitais cresceram 45% em 2023, somando cerca de 5 milhões de fraudes.

 

Diante desse cenário, a ASSESPRO-SP defende a criação de um marco legal nacional de cibersegurança, alinhado às boas práticas internacionais e construído de forma colaborativa entre governo, setor produtivo e especialistas técnicos. Para a entidade, também é urgente investir em educação digital, capacitação profissional e fomento à inovação em segurança da informação.

 

“Enquanto não houver regras claras, investimento público e articulação estratégica, o Brasil continuará sendo um terreno fértil para cibercriminosos. É preciso encarar a cibersegurança como uma política de Estado, não como um problema setorial. A tecnologia precisa ser protegida por leis, não apenas por firewalls”, conclui Nakazawa.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

TIVIT adota detecção de injeção biométrica para barrar deepfakes e fraudes ocultas em bancos

Tecnologia revela tentativas de ataques com IA que eram aprovadas como acessos legítimos pelos sistemas tradicionais de autenticação
Security Report | Overview

Ataques de ransomware no Brasil sobem pelo 3º mês e país se consolida no Top 6 mundial

Agosto registra pico global de 1.212 ciberataques corporativos nos últimos 12 meses, impulsionado pela expansão de ofensivas contra os setores...
Security Report | Overview

Falha no ChatGPT permitia que atacantes acessassem dados corporativos no Gmail

Pesquisadores da Check Point Research descobrem canal oculto no ambiente da OpenAI que permitia extrair dados de serviços conectados como...
Security Report | Overview

Phantom Deal: golpe de M&A falso teve como alvo Avast e outras empresas da Fortune 500

Engenharia social sofisticada simulou aquisição confidencial de mais de 600 mil euros utilizando personificação de executivos e NDAs falsificados no...