América Latina tem maior parcela de empresas com ataques detectados, aponta estudo

Estudo revela que a América Latina lidera os ataques globais em 2025 e projeta um cenário de extorsão focado no roubo de dados para 2026

Compartilhar:

Um novo relatório global da Kaspersky revela as principais tendências e projeções sobre o cenário de ransomware para 2026. Segundo os dados da empresa de Cibersegurança, a América Latina registrou a maior parcela de organizações com ataques detectados em 2025 (8,13%). A região é seguida por Ásia-Pacífico (7,89%), África (7,62%), Oriente Médio (7,27%), Comunidade dos Estados Independentes (5,91%) e Europa (3,82%). 

  

O mapeamento destaca o crescimento de extorsões “sem criptografia”, o uso de criptografia pós-quântica por cibercriminosos e a migração para canais do Telegram para distribuir dados e credenciais roubadas. Apesar de uma leve queda na participação total de empresas atingidas em comparação a 2024, o risco continua alto devido à industrialização e à automação das invasões. 

  

Canais do Telegram e fóruns da dark web funcionam continuamente como plataformas de venda de acessos corporativos. Embora agências de segurança tenham derrubado grandes fóruns clandestinos recentemente, como o RAMP em janeiro de 2026 e o LeakBase em março de 2026, os pesquisadores alertam que novos portais semelhantes costumam surgir ao longo do tempo. 

  

Outra tendência marcante é o crescimento dos “killers” de EDR, ferramentas projetadas para desativar as soluções de segurança de endpoint antes de executar o malware. Além disso, o surgimento de famílias de ransomware adotando padrões de criptografia pós-quântica sinaliza uma mudança preocupante em direção a métodos que resistem a futuras tentativas de descriptografia por computação quântica. 

  

O papel dos Initial Access Brokers (IABs), intermediários que vendem acesso corporativo pré-comprometido, também está em expansão. Portais RDWeb, usados para controle remoto de dispositivos, são alvos frequentes desse ecossistema de “Access-as-a-Service”, o que diminui consideravelmente a barreira de entrada para novos criminosos lançarem ataques. 

  

Entre os grupos mais ativos baseados em sites de vazamento, a Kaspersky identificou o Qilin como o operador dominante de ransomware como serviço (RaaS). O grupo Clop ficou em segundo lugar, seguido pelo Akira em terceiro. Embora várias gangues tenham encerrado operações, novos atores altamente estruturados continuam surgindo no mercado. 

  

Para 2026, o grupo The Gentlemen é apontado como uma das principais novas ameaças devido ao rápido crescimento e foco na extorsão centrada em dados. O grupo exemplifica a transição de campanhas caóticas para modelos escaláveis, que utilizam a pressão reputacional e regulatória do vazamento de dados sensíveis em vez de depender apenas do bloqueio de arquivos. 

  

“O ransomware evoluiu para um ecossistema altamente organizado, focado em monetizar dados roubados, desativar defesas e escalar ataques com eficiência semelhante à de empresas. Os cibercriminosos estão se adaptando rapidamente, utilizando ferramentas legítimas de forma maliciosa, explorando infraestruturas de acesso remoto e até adotando criptografia pós-quântica anos antes do esperado por muitos especialistas”, comenta Fabio Assolini, Lead Security Researcher da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina. 

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Novo CISO: de “técnico da informática” à peça-chave no Conselho das empresas

Risco cibernético passa a ser tratado como risco de negócio e transforma o executivo de segurança em peça-chave da governança...
Security Report | Overview

IA como “operador invisível” acende alerta de governança no setor elétrico

Eficiência da rede diante de eventos climáticos extremos exige equilíbrio rigoroso entre inovação digital e cibersegurança física
Security Report | Overview

Ciberguerra EUA x Irã: Quais os impactos para a infraestrutura brasileira?

Operações cibernéticas passaram a anteceder ofensivas físicas e ampliam riscos à infraestrutura crítica
Security Report | Overview

Dez grupos de ransomware concentram 71% dos ataques globais, aponta threat intel