IA como “operador invisível” acende alerta de governança no setor elétrico

Eficiência da rede diante de eventos climáticos extremos exige equilíbrio rigoroso entre inovação digital e cibersegurança física

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Enquanto eventos climáticos extremos testam o limite físico das redes elétricas brasileiras, uma nova camada de complexidade opera silenciosamente nos bastidores. A Inteligência Artificial, que já atua na manutenção preditiva e na automação de centros de controle, está se tornando a infraestrutura invisível que sustenta o fornecimento de energia no país. 

  

Contudo, sem uma governança rigorosa, a tecnologia que promete resiliência pode ampliar riscos sistêmicos. Diferente de outros segmentos, o setor de utilities opera sob uma lógica de missão crítica, onde a confiabilidade chega a 99,999% e, nesse cenário, qualquer erro digital deixa de ser virtual e se torna um impacto físico imediato. Isso inclui apagões, interrupção de cadeias logísticas ou danos severos a equipamentos de grande porte. 

  

Para Alexandre Murakami, Diretor Executivo de Soluções e Cibersegurança da Tripla, empresa especializada em segurança, governança e disponibilidade, o setor vive uma transição em que a governança de dados é tão vital quanto a manutenção dos cabos de transmissão. “A IA está assumindo o controle de infraestruturas críticas, o problema é que IA sem governança não é inovação; é risco operacional”, afirma o executivo. 

  

A preocupação central reside na chamada dependência algorítmica e na baixa explicabilidade de alguns modelos. Eles podem tomar decisões operacionais incorretas durante situações de estresse na rede, como tempestades e variações climáticas intensas. Para garantir que a tecnologia auxilie na estabilidade da rede em vez de comprometê-la, a estratégia de modernização agora exige três pilares fundamentais. 

  

O primeiro pilar é a visibilidade, para entender exatamente onde e como a IA está operando dentro da malha energética. O segundo é a responsabilização, que define quem responde pelas decisões automatizadas em tempo real. Por fim, o controle operacional garante a capacidade de intervenção humana (human-in-the-loop) para sobrepor o sistema em cenários adversos, evitando a autonomia total da máquina. 

  

Essa infraestrutura invisível descrita por Murakami é sustentada por redes de comunicação robustas que precisam suportar o tráfego de dados da IA sem interrupções. Como integradora, a Tripla destaca que a segurança da operação (OT Security) e a auditoria contínua de modelos matemáticos são agora itens de primeira necessidade para as concessionárias. “A maturidade em IA gera redução de falhas e confiança regulatória, mas a vantagem competitiva não está em quem adota a tecnologia primeiro, e sim em quem consegue operá-la com segurança”, conclui Murakami. 

 

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