O Relatório de Ransomware na Era da IA de 2026, divulgado pela Proofpoint, Inc., revela que a Inteligência Artificial está aumentando o sucesso dos ataques no país ao aprimorar campanhas de phishing, falsificação de identidade e roubo de credenciais. O estudo global aponta que 39% das organizações brasileiras atingidas por ransomware registraram maior eficácia nos ataques impulsionados por IA, refletindo um cenário em que criminosos exploram rotineiramente a confiança e a identidade dos usuários.
A pesquisa, realizada com 953 profissionais de cibersegurança em 12 países, demonstra que o ransomware evoluiu do simples bloqueio de sistemas para um modelo de extorsão contínua. Os invasores agora interceptam dados e credenciais antes da criptografia, utilizando canais de comunicação legítimos para obter o acesso inicial e mantendo as vítimas sob pressão constante com sucessivas exigências financeiras.
“A IA não mudou fundamentalmente o ransomware, mas melhorou materialmente os ataques que levam ao ransomware. Os invasores de hoje estão usando a IA para criar e-mails de phishing altamente convincentes, componentes de malware como scripts e campanhas de roubo de credenciais que exploram a confiança humana em escala”, disse Ryan Kalember, Chief Strategy Officer da Proofpoint.
“As organizações que continuam tratando o ransomware e a extorsão de dados como problemas de endpoint ou de recuperação estão ignorando por onde esses ataques mais frequentemente começam: pessoas, identidades e comunicações confiáveis”, complementa o executivo.
No Brasil, os vetores de entrada mais comuns dependem da interação humana. E-mails de phishing e engenharia social responderam pelo acesso inicial em 32% dos casos, enquanto anexos maliciosos (50%), links suspeitos (41%) e captura de credenciais (36%) lideraram as ameaças.
A eficácia dessas abordagens é impulsionada pela sofisticação do conteúdo: 34% das empresas relataram que funcionários não suspeitaram das mensagens por parecerem autênticas, e 36% confirmaram que houve interação direta do usuário com elementos maliciosos.
Apesar das orientações das autoridades contra ceder a chantagens, 52% das organizações brasileiras atingidas pagaram o resgate, no entanto, 43% das que pagaram enfrentaram uma segunda exigência financeira. O roubo de dados confidenciais ocorreu em 48% dos incidentes no país, confirmando que o objetivo final dos criminosos deixou de ser apenas a criptografia e passou a focar na exfiltração de dados para monetização repetida e acessos persistentes.
“No Brasil o levantamento mostra que a inteligência artificial não está criando um novo tipo de ransomware”, afirma Marcos Nehme, Country Manager da Proofpoint no Brasil. “Ela está tornando golpes conhecidos, como phishing e falsificação de identidade, muito mais difíceis de identificar. O desafio das empresas deixa de ser apenas bloquear malware e passa a reduzir as oportunidades para que os próprios usuários sejam enganados.”