Táticas de defesa para proteger empresas do ransomware

Segundo Augusto Panachão, diretor de Cloud e Soluções da Dimension Data, feeds de inteligência de ameaças, ferramentas de gerenciamento de identidade e controle de acesso são fortes aliadas contra ciberataques desse tipo

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Desde que a primeira variante de ransomware foi disseminada por disquetes em 1989, os ataques desse tipo tornaram-se muito mais sofisticados. Os ataques WannaCry, por exemplo, que ocorreram em maio de 2017, usaram um malware worm para infectar computadores conectados a uma mesma rede, causando impactos a mais de 150 países e em diversas verticais, como agências de governo e fábricas.

 

O ransomware foi classificado como o malware mais rentável de todos, somando cerca de US$ 1 bilhão em lucros em 2016, de acordo com o FBI. Diversas outras pesquisas confirmam que o ransomware está crescendo, justamente porque os cibercriminosos aproveitam a enorme profitabilidade que ele traz.

 

A principal razão por trás do sucesso do ransomware é que as empresas estão, em grande parte, despreparadas para um ataque. Os ataques do WannaCry se espalharam rapidamente através de suas capacidades de autopropagação aproveitando principalmente hardware e software desatualizados de infraestruturas de rede de muitas organizações. Os prejuízos podem ser altos – desde o custo financeiro da parada do sistema, assim como danos à reputação e perda da confiança do público. Esses últimos tendem a ser danos de longo prazo.

 

Assim, a defesa em profundidade, apesar de não ser um conceito novo, ainda se traduz como a melhor forma de proteção contra o ransomware e outros tipos de ciberataques. Trata-se de uma abordagem de segurança em várias camadas, que envolve desde o conhecimento do que os atacantes estão trabalhando na deep web até o treinamento dos usuários finais para proteção contra ataques de phishing.

 

Algumas táticas desse princípio são:

 

  • Além de scans frequentes de vulnerabilidade e testes de penetração para determinar se a empresa possui as estratégias de defesa corretas para se proteger contra o ransomware, ferramentas podem ser usadas para observar o comportamento de um ataque. Um exemplo são os feeds de inteligências de ameaças, que monitoram ataques em outros locais a fim de alertar as empresas sobre as ameaças emergentes antes que elas atinjam a rede corporativa. Provedores de inteligência de ameaças analisam esses feeds constantemente, filtrando insights para fortalecer os sistemas de segurança.

 

  • Ferramentas de Gestão de Identidade e Acesso (IAM) e Controle de Acesso à Rede (NAC) são essenciais para identificar os dispositivos da empresa e garantir que eles estejam de acordo com as políticas de segurança de TI. Todos os endpoints devem ter uma proteção adequada que previne explorações de vulnerabilidade em todos os sistemas operacionais (Windows, Android, MacOS, iOS). Além disso, firewalls de próxima geração (NGFW) adicionam uma camada extra de varredura antimalware para arquivos maliciosos já conhecidos, e sandboxing baseado na nuvem para malwares ainda desconhecidos. Soluções de segurança para e-mails, DNS e web também contribuem para níveis mais profundos de proteção.

 

  • Caso um malware tenha infiltrado os dispositivos ou a rede, as tecnologias devem estar em ordem para detectar anomalias e os analistas de segurança devem monitorar de perto a rede. Ferramentas de detecção de tráfego malicioso baseadas em inteligência artificial podem ajudar a automatizar a detecção antes que um ataque piore. Além delas, tecnologias de detecção de brechas como ferramentas de engano e serviços de monitoramento de ameaças 24/7 podem ser implementadas em locais estratégicos para saber se um ransomware está se propagando, oferecendo assim alertas prévios.

 

Esses são apenas alguns exemplos de táticas para construir uma boa defesa contra ransomware e outros malwares. Onde e como construir as defesas são considerações críticas para reduzir os riscos e mitigar as vulnerabilidades. Enfim, uma estratégia de processos, pessoas e tecnologia deve ser colocada em prática e ser constantemente melhorada para garantir a resiliência da empresa em casos de ciberataques e a continuidade dos negócios.

 

* Augusto Panachão é diretor de Cloud e Soluções da Dimension Data

 

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