Proteger terceiros críticos é essencial ao negócio, dizem CISOs

Para desenvolver uma cultura de risco saudável na cadeia de terceiros, é necessário compreender o funcionamento desse ecossistema, detectar os espaços mais críticos e elevar o padrão de Segurança cibernética daqueles fornecedores. Líderes de SI apontaram esse roteiro e boas práticas de gestão de risco durante Painel no Security Leaders Nacional sobre o tema

Compartilhar:

 À medida que cadeias de fornecimento se tornam mais complexas e a exposição operacional cresce, o risco de terceiros emergiu como um dos pontos de vulnerabilidade e impacto para o negócio. Nesse contexto, líderes de Cibersegurança discutiram o desafio da mensuração e controle do risco na cadeira de terceiros, além da sua comunicação para a gestão do negócio.  

 

Para Filipe Loner, CISO da LM Mobilidade, há uma necessidade de investigação da cadeira de terceiros, dentro dos parâmetros do apetite de risco da empresa. “Um dos pontos que a gente procura executar é validar se o padrão de Segurança do terceiro avaliado está de acordo com que a sua própria empresa aceita como um risco, mesmo que se tenha um protocolo bem estabelecido”, explicou ele, durante o Painel de Debates sobre o tema no Security Leaders Nacional, em São Paulo. 

 

Já Fabio Araujo, CISO da Valia Previdência, também acrescenta que conhecer os processos e o core business da organização é essencial para as decisões relacionada a risco de terceiros. Segundo ele, antes de avaliar a suspensão de um serviço ou a rejeição de um fornecedor por falta de requisitos mínimos, é preciso entender claramente qual será o impacto real dessa interrupção na operação.  

 

“Não dá para paralisar um serviço sem medir as consequências. É fundamental saber onde a falha afeta o negócio e qual será o reflexo disso no dia a dia da empresa”, explicou. Para o executivo, a Segurança só cumpre seu papel quando consegue equilibrar proteção e continuidade, sempre a partir de uma compreensão precisa do que é crítico para o negócio. 

   

A discussão entre os executivos de Segurança apontou estratégias para melhorar a gestão dos riscos de terceiros com consistência, priorizando a criticidade de cada um deles. Isso permite estabelecer métodos únicos e direcionados para fazer aquele parceiro ser mais seguro tanto para si quanto para toda a cadeia a qual ele faz parte. 

 

Isso foi reforçado pelo Superintendente de Cibersegurança do Bradesco, Luciano Santos. O executivo aponta que é essencial centralizar o controle o monitoramento de risco das grandes corporações a partir da aproximação do fornecedor crítico aos padrões de maturidade da usuária, garantindo maior liberdade dentro do ecossistema a partir de Segurança adequada. 

 

“É isso que nos dá base para chegar ao negócio e dizer quando um risco está fora do apetite da organização, e, a partir disso, definir ações que o mitiguem. O ponto-chave é manter tudo documentado e deixar claro para o board quais riscos foram assumidos, quais estão dentro ou fora do apetite, sempre considerando o padrão de governança desenvolvido pela própria organização”, disse ele. 

 

Eduardo Lopes, Account Executive da Qualys, destacou que o ponto de partida de qualquer estrutura de Segurança é compreender que a principal função de uma política desse setor é mitigar risco. Segundo ele, muitas organizações ainda não alcançaram maturidade suficiente nesse processo e, por isso, não possuem ferramentas para análises quantitativas e qualitativas de impacto no negócio. 

 

 Lopes também chamou atenção para a fragmentação das ferramentas atuais, impedindo uma visualização adequada do cenário de riscos. “Entretanto, qualificar as métricas de impacto tendem a ser ainda mais importantes para a visão do board sobre esse cenário, pois são elas que podem impactar a geração de valor dela. A mensuração do risco é fundamental para qualquer negócio”, concluiu. 

 

Acompanhe a íntegra do Painel de Debates “Risco de Terceiros: qual o apetite e como desenvolver hábitos saudáveis” Pelo canal da TVSecurity no YouTube ou pelo vídeo abaixo: 

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

ANPD: Adequação entre LGPD e GDPR destrava comércio digital e exige Segurança madura

Decisão facilita circulação de dados entre Brasil e UE, abre novas oportunidades para negócios e reforça a necessidade de interoperabilidade...
Security Report | Destaques

Brasil e União Europeia anunciam acordo de adequação mútua em Proteção de Dados

O anúncio, que precede o Dia Internacional da Proteção de Dados, elimina barreiras burocráticas para transferências internacionais e eleva o...
Security Report | Destaques

Operações otimizadas: Como aplicar automação sobre a Segurança que importa ao negócio

Com o crescimento da IA aplicada às SecOps das empresas, garantir mais eficiência tecnológica ao setor se tornou essencial para...
Security Report | Destaques

Painel de Incidentes: Ataques de DDoS e invasões cibernéticas desafiam o poder público em 2026

Desde incidentes cibernéticos mirando municípios pelo país à indisponibilidade das principais instituições nacionais, o cibercrime trouxe novos desafios às gestões...