Polícia Civil do RS prende suspeitos de invasão cibernética e fraude de documentos judiciais

A força policial gaúcha desmantelou uma organização criminosa especializada em acessar indevidamente contas do Gov.br e, a partir disso, remover restrições de bens para que fossem vendidos. A operação cumpriu 5 mandados de prisão e seis de busca e apreensão por todo o estado

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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação contra esquema de fraudes digitais nesta quinta-feira (02). Segundo a organização, a chamada Operação Invasor visava investigar a retirada indevida de restrição judicial sobre veículo envolvido em processo na Justiça.

 

De acordo com o comunicado da força, foram realizados seis mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva em Sapiranga, Portão, Dois Irmãos e Rolante. A ação cibercriminosa envolvia invadir a conta Gov.br de uma magistrada federal por meio de acessos comprometidos. Dessa forma, os agentes hostis eram capazes de burlar o sistema judiciário alterando processos de restrição de bens automóveis, tornado-os aptos a serem utilizados ou vendidos.

 

O caso que evidenciou o crime às autoridades envolveu o pagamento de R$ 13 mil de um comerciante de automóveis a um advogado criminal para a execução da fraude. Alterado o documento de restrição, o veículo foi anunciado e vendido por cerca de R$ 78 mil a um terceiro sem envolvimento com o crime. A operação busca combater os crimes de fraude processual, estelionato, organização criminosa e invasão de dispositivo eletrônico.

 

“Estamos falando de uma rede fraudulenta que oferecia, no ambiente virtual, um serviço de retirada de restrições judiciais e multas, iludindo pessoas e alimentando um ciclo perigoso de ilícitos. A Polícia Civil atuará com rigor para coibir essas ações. Este é um crime que prejudica consumidores, e abala a confiança nas instituições e nos sistemas digitais que todos utilizamos”, disse o Diretor da 2° Delegacia Regional Metropolitana do RS, Cristiano Reschke.

 

Na última semana, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina e a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro anunciaram, em nota conjunta, que detiveram um suspeito de comprometer acessos legítimos de servidores públicos e magistrados mantidos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com vistas a emitir ordens falsas de soltura e prisão em nome da corte estadual. O indivíduo havia sido localizado em Guaratiba, na Zona Oeste da capital fluminense.

 

De acordo com informações do TJ catarinense, o suspeito estaria vinculado a pelo menos sete casos que envolvem expedição e revogação indevidas de mandados, além de alterações irregulares de Registros Judiciais Individuais (RJI).A partir do primeiro caso, a Divisão de Inteligência e Segurança Institucional (NIS) do órgão acionou as autoridades visando rastrear a fonte dos incidentes e desbaratar a operação cibercriminosa.

 

A Security Report divulga, na íntegra, nota disponibilizada pela Polícia Civil gaúcha:

 

“Nesta quinta-feira (02/10), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, deflagrou a Operação Invasor no combate ao crime de fraude, envolvendo a retirada indevida de restrição judicial sobre veículo apreendido em processo criminal.

 

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva nos municípios de Sapiranga, Portão, Dois Irmãos e Rolante. Também foram cumpridas ordens judiciais na Penitenciária Estadual de Canoas. Foram apreendidos aparelhos celulares.

 

O esquema sofisticado de fraude envolvia a retirada indevida de restrição judicial sobre veículo apreendido em processo criminal. Os criminosos invadiram a conta Gov.br de uma magistrada federal para burlar o sistema judiciário e movimentar valores expressivos no mercado automotivo. O desbloqueio das restrições era realizado por acessos ilegítimos ao sistema.

 

A operação visa combater os crimes de fraude processual, estelionato, organização criminosa e invasão de dispositivo.

 

A fraude

A apuração identificou como verdadeiro operador da fraude um indivíduo com antecedentes em crimes cibernéticos e patrimoniais em outros estados, posteriormente preso em Santa Catarina por ordem judicial.

O beneficiário direto da fraude foi um comerciante de automóveis que havia adquirido o veículo da antiga proprietária já com a restrição judicial ativa. O homem teria pago R$ 13 mil reais a um advogado criminal para a execução da fraude. A esposa do suspeito e um vendedor de automóveis de Dois Irmãos viabilizaram a transferência, após a remoção ilegal da restrição.

 

O golpe até o consumidor final

O veículo, já sem restrições, foi anunciado ao público e adquirido por um comprador de boa-fé, residente em Caxias do Sul, pelo valor de R$ 77.900,00, mediante entrada e financiamento.

Segundo a Delegada Luciane Bertoletti, o crime mantém constante processo de atualização. “É um exemplo claro de como a criminalidade se moderniza e tenta explorar brechas tecnológicas para obter lucro ilícito”, afirmou a Delegada.

O Delegado de Polícia Cristiano Reschke, Diretor da 2° Delegacia Regional Metropolitana, alertou sobre o nível de sofisticação dos criminosos. “Estamos falando de uma rede fraudulenta que oferecia, muitas vezes no ambiente virtual, um serviço de retirada de restrições judiciais e multas, iludindo pessoas e alimentando um ciclo perigoso de ilícitos. A Polícia Civil está atenta e atuará com rigor para coibir essas ações, demonstrando que não há espaço para a impunidade. Este é um crime que não apenas prejudica consumidores, mas abala a confiança em instituições e nos sistemas digitais que todos utilizamos”, ratificou Reschke”.

 

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