Novo malware detectado mira bancos brasileiros

A ameaça também tem como alvo países da América Latina, como o México, e a Espanha

Compartilhar:

A Proofpoint, Inc. tem como trabalho contínuo o rastreio de grupos com atividades suspeitas usando malware bancário que atingem usuários e organizações no Brasil e América Latina. Recentemente, foram encontradas diversas ameaças direcionadas à Espanha, provenientes de ameaças maliciosas e malware que, tradicionalmente, têm como alvo pessoas que falam português e espanhol no Brasil, no México e em outras partes das Américas.



Embora a abordagem às vítimas nas Américas seja comum há algum tempo, os recentes agrupamentos que visam a Espanha têm sido atípicos em frequência e volume em comparação com atividades anteriores.

“O cenário brasileiro em relação às ameaças digitais, mudou rapidamente nos últimos anos. Agora, está muito mais complicado e diversificado. Temos mais pessoas online no País, o que significa que a base de possíveis vítimas aumentou também”, comenta Jared Peck, pesquisador de ameaças da Proofpoint. 



“De acordo com relatórios do mercado, o Brasil está entre os países mais visados por ladrões de informações e outros malwares, e sua ampla adoção aos serviços bancários on-line oferece potencial para atores de ameaças, engenheiros sociais ansiosos por realizar atividades financeiras on-line.”

O malware brasileiro tem como foco os bancos e vem em muitas variedades. Com base nas observações da Proofpoint, a maioria desses vírus parece ter uma linhagem em comum que é escrito em Delphi, uma linguagem de programação, com código-fonte reutilizado e modificado ao longo de muitos anos.



Esse malware inicial gerou muitas variedades de softwares maliciososs brasileiros, como o Javali, Casabeniero, Mekotio e Grandoreiro. Alguns tipos de malware, como Grandoreiro, ainda estão em desenvolvimento ativo (tanto o carregador quanto a carga final).

O Grandoreiro, por exemplo, tem a capacidade de roubar dados por ferramentas a partir de ações feitas no teclado (keyloggers) e capturadores de tela, assim como roubar informações de login de bancos quando a vítima infectada visita sites bancários pré-determinados já visados pelos hackers.

Com base na telemetria – tecnologia de medição de dados de forma remota para uma central de monitoramento – feita recentemente pela Proofpoint, o ataque causado pelo Grandoreiro é iniciado com uma URL em um e-mail com diversas iscas, como documentos compartilhados, Nota Fiscal Eletrônica e contas de serviços públicos. Assim que a vítima clica no URL, ela recebe um arquivo zip (formato compactado de envio) contendo o vírus.



Ao executá-lo, o arquivo malicioso usará uma injeção de DLL (Dynamic Link Libraries), técnica que permite mudar a lógica de um processo e acessar recursos protegidos, para adicionar comportamento malicioso a um programa legítimo, mas vulnerável. O vírus baixa e executa o passo final do Grandoreiro e faz check-in com um servidor de comando e controle (C2) conquistando, então, o acesso geral aos computadores que foram hackeados.
 

Antes, os clientes bancários visados neste tipo de ataque estavam no Brasil e no México, mas as ações recentes mostram que também foi expandida para bancos na Espanha. Dois ataques atribuídos ao grupo de criminosos TA2725, de 24 a 29 de agosto de 2023, compartilharam infraestrutura e carga útil comuns, visando, simultaneamente, o México e a Espanha.



Este desenvolvimento significa que as sobreposições de roubo de credenciais bancárias do Grandoreiro agora incluem bancos na Espanha e no México na mesma versão, para que os agentes da ameaça possam atingir vítimas em múltiplas regiões geográficas sem modificação do malware.

O que é o TA2725?

O TA2725, nome do grupo de cibercriminosos que estão por trás dessas campanhas de malware, é rastreado pela Proofpoint desde março de 2022 e é conhecido por usar malware bancário brasileiro e phishing para atingir organizações, principalmente, no Brasil e no México. Esse grupo foi observado visando credenciais de bancos e de consumidores no país, com foco em informações de pagamento para contas de Netflix e Amazon.



O TA2725 normalmente hospeda seu redirecionador de URL no GoDaddy e desvia os usuários para um arquivo zip atrelado a provedores legítimos de hospedagem em nuvem, como Amazon AWS, Google Cloud ou Microsoft Azure.



“Dado o rápido desenvolvimento de malware e a capacidade dos agentes de ameaças na América Latina e na América do Sul, esperamos ver um aumento nos alvos de oportunidade fora dessa região que partilham uma linguagem comum. À medida que os negócios continuam evoluindo e contando com fornecedores globais, as organizações em todo o mundo também continuarão sendo alvos da crescente ameaça à segurança cibernética”, finaliza Peck.

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Ataques a identidades ampliam riscos em ambientes corporativos e sobre agentes de IA

Especialista da Veeam explica como o comprometimento de credenciais impacta e-mails, arquivos e governança na adoção de inteligência artificial corporativa
Security Report | Overview

Apenas 45% das empresas brasileiras possuem planos de recuperação para ataques contra IA

Estudo da Cohesity revela que 51% das companhias no país não mantêm inventário das IAs em uso, enquanto 99% admitem...
Security Report | Overview

Grupo Protege investe R$ 2,7 mi para transformar cultura de Segurança digital em vantagem competitiva

Projeto em parceria com a AK Networks protege a infraestrutura crítica e os acessos corporativos da companhia, estimando um retorno...
Security Report | Overview

Pesquisa revela que hackers criaram canais falsos de games no YouTube para infectar jogadores

Investigação da Palo Alto Networks identifica campanha de dois anos que usava comunidades de jogos na plataforma para distribuir malwares...