Novas normas de SI do Bacen ampliam foco sobre Ecossistema seguro, apontam CISOs

Líderes de Segurança da Informação ligados ao sistema financeiro apoiaram as novas exigências de Segurança para que instituições financeiras possam operar dentro do ambiente do Banco Central, reforçando a necessidade de equilibrar o padrão de maturidade de instituições grandes e pequenas

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O Banco Central do Brasil avança na direção correta com a decisão de aplicar novas medidas de Segurança Cibernética para permitir que instituições financeiras atuem dentro do Sistema Brasileiro de Pagamentos, pois será possível direcionar maior foco à proteção das cadeias de fornecimento e nivelar o padrão de proteção. Esse é o apontamento feito pelos CISOs do grupo Security Leaders ligados ao setor financeiro e consultados essa semana pela Security Report.

 

Os executivos se posicionaram após o anúncio do presidente do BC, Gabriel Galípolo, de novas medidas de controle para Instituições de Pagamento (IPs) e Provedoras de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs). Na visão deles, o aumento das demandas por maior governança responde à necessidade de se elevar os padrões de proteção além das organizações financeiras e considerando, em especial, o ecossistema delas.

 

Conforme aponta um dos CISOs, que falou sob anonimato, os incidentes que se deram na Sinqia e na C&M Software demonstraram essa realidade. Nesse sentido, é preciso fortalecer aqueles que são os elos mais fracos da Segurança, em favor de ampliar a proteção em toda a cadeia. Isso apenas poderá ser feito se todos estiverem nivelados pelo mesmo padrão.

 

“Os ataques não vêm mais só pelo banco em si, mas pela cadeia toda — e os terceiros são o alvo da vez. Nesse contexto, o bloqueio de pagamentos acima de 15 mil reais em certos casos é essencial para fazer a transferência suspeita de dinheiro se tornar mais cara. Com isso, golpistas terão que diluir fortemente suas transferências, abrindo mais espaço para serem detectados. Não é a resposta final, mas já ajudará”, disse ele.

 

Já o CISO da Clash, Ricardo Castro, concorda com o colega, apontando inclusive que a ação do Banco Central deveria ter sido mais proativa, antes da ocorrência de qualquer incidente nesse sentido. De acordo com ele, Era necessário que a autoridade se posicionasse como forma de reforçar a integridade e a confiança nos sistemas nacionais de pagamento, diante de um mercado de fraude bastante forte como no Brasil.

 

Dessa forma, para garantir a escalabilidade e Segurança de novos produtos ligados ao Pix, era necessário garantir nova qualidade aos prestadores de serviços, considerando a dependência do mercado sobre elas. “A partir disso, é possível avaliar e certificar adequadamente, não apenas os PSTIs como as próprias instituições que busquem participar desse consórcio, que é um exemplo de eficiência para o mundo”, disse ele.

 

Maturidade e Regulamentação

Para Rodrigo Hammer, Head de Cyber Security na Conta Azul, a grande vitória gerada por esses novos padrões do BC envolve uniformizar o padrão de maturidade de todas as companhias financeiras, independente do tamanho e envolvimento dela na cadeia financeira. Isso é feito a partir da consideração igual entre os bancos, IPs e seus fornecedores de recursos tecnológicos em relação à padrões de SI como o ISSO 27001.

 

“O Banco Central teve que aplicar essas medidas mais rigorosas, para que todos fiquem em condições iguais. Isso porque instituições de nível S1, S2 e S3 tinham uma carga regulatória mais pesada, enquanto algumas Fintechs e instituições de pagamento não autorizadas ainda não precisavam de todo esse arcabouço de controles. Isso nos leva a um esforço de todo o sistema financeiro em direção a melhores padrões de Cibersegurança”, completa Hammer.

 

Agora, os próximos passos do Bacen devem ser focados em reforçar regulamentação sobre tecnologias aplicadas, incentivar investimentos em detecção e resposta a golpes e resiliência do ecossistema. Um passo dado nesse sentido foi a obrigação do bloqueio de transferências feitas a contas bancárias suspeitas de envolvimento com recepção de valores fraudulentos.

 

“O desafio do BC agora é o equilíbrio, pois a linha entre inovação e segurança é fina: Se pesar demais, trava o mercado. Se relaxar, o risco explode. A pergunta que a autoridade e o país precisam responder agora é se vamos conseguir manter uma referência na resiliência cibernética do meio financeiro, e entendo que o movimento feito até agora aponta para essa direção”, conclui o CISO anônimo.

 

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