Minha organização foi invadida. E agora?

Diante de um cenário em que um ataque cibernético sem precedentes possa atingir a qualquer momento os players de mercado, é essencial que os líderes de Segurança Cibernética se alinhem a um processo detalhado de resposta, para reduzir danos e maximizar o aprendizado recebido. Por isso, o Diretor de TI do TCE-SP, Fábio Correa Xavier, elenca seis passos para atravessar da melhor forma possível o momento mais complexo da Cibersegurança

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No atual ecossistema digital, onde a conectividade permeia cada aspecto dos negócios, a segurança da rede emerge como um pilar crítico para organizações de todos os portes. A inevitabilidade de enfrentar violações de segurança não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” e, mais crucialmente, de “como” responderemos a esses incidentes.

 

A capacidade de uma organização de emergir não apenas intacta, mas fortalecida de tais desafios, depende intrinsecamente de sua prontidão e estratégias de resposta. Com base em lições aprendidas e práticas recomendadas, este roteiro detalhado oferece uma abordagem abrangente para gerenciar eficazmente uma violação de segurança, desde a detecção até a recuperação e além.

 

Fase Inicial – Avaliação Imediata do Impacto: O primeiro indicativo de uma brecha de segurança desencadeia uma operação crítica contra o tempo. Identificar rapidamente os sistemas comprometidos, os dados potencialmente expostos e o impacto nas operações é vital. A aplicação de técnicas forenses avançadas para desvendar a trajetória e os métodos do ataque é crucial, não apenas para a contenção imediata, mas também como uma medida preventiva contra futuras incursões.

 

Segundo Passo – Estratégias de Contenção: Após mapear a extensão do dano, o foco deve se voltar para a contenção efetiva do ataque. Medidas iniciais, como a interrupção da conectividade de rede, a alteração de senhas e a desativação temporária de sistemas críticos, são apenas o começo. Estratégias mais sofisticadas, incluindo a segmentação de rede e a implementação de soluções de detecção e resposta em endpoints (EDR), são fundamentais para impedir a propagação do ataque e garantir uma contenção robusta.

 

Terceiro Passo – A Importância da Expertise: Neste momento crítico, a hesitação pode ser o maior inimigo. A colaboração com especialistas em cibersegurança, seja através de recursos internos ou consultoria externa, torna-se indispensável. Esses profissionais trazem a expertise técnica necessária não apenas para combater a ameaça atual, mas também para identificar e reforçar pontos fracos na infraestrutura de segurança, preparando a organização contra ataques futuros.

 

Quarto Passo – O Processo de Recuperação: Com a ameaça sob controle, a atenção se volta para a recuperação e restauração dos sistemas afetados. Esta fase envolve desde a reparação ou substituição de hardware danificado até a atualização de sistemas para corrigir vulnerabilidades exploradas pelo ataque. A implementação de estratégias eficazes de backup e recuperação de dados é crucial aqui, minimizando a perda de dados valiosos e reduzindo o tempo de inatividade operacional.

 

Quinto Passo – Revisão e Fortalecimento de Políticas: Superada a crise imediata, é hora de refletir sobre o ocorrido e extrair aprendizados valiosos. A revisão e atualização das políticas de segurança da rede, com base nas lições aprendidas, são passos essenciais. Isso pode envolver o aprimoramento de protocolos de segurança, a implementação de controles de acesso mais rigorosos e o fortalecimento das práticas de segurança perimetral.

 

Sexto Passo – Monitoramento e Vigilância Contínuos: A segurança de uma rede é um processo contínuo que exige vigilância constante. A adoção de sistemas avançados de monitoramento e análise é fundamental para detectar atividades suspeitas precocemente, permitindo uma resposta rápida e eficaz a ameaças emergentes. Essa abordagem proativa é crucial para manter a integridade e a segurança da rede a longo prazo.

 

Construindo um Futuro Digital Mais Seguro

Navegar por uma violação de segurança é, sem dúvida, um dos maiores desafios que uma organização pode enfrentar. No entanto, cada incidente oferece uma oportunidade única para aprender, adaptar e fortalecer as estratégias de segurança. A verdadeira medida da resiliência de uma organização não se encontra na sua capacidade de prevenir todas as ameaças – uma meta praticamente inatingível na paisagem digital atual – mas na sua habilidade de responder, recuperar e evoluir diante dos desafios.

 

Assim, ao enfrentarmos as adversidades do presente, estamos, na verdade, pavimentando o caminho para um futuro digital mais seguro e resiliente, onde a segurança da rede se torna um catalisador para o crescimento e a inovação sustentáveis.

 

*Fábio Correa Xavier é Diretor do Departamento de Tecnologia da Informação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

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