A Infoblox, companhia global em serviços de rede e segurança preventiva, acaba de anunciar um acordo definitivo para a aquisição da Axur, empresa brasileira de soluções de Segurança baseadas em IA para proteção de marcas e riscos digitais. A aquisição está sujeita a aprovações regulatórias e condições de fechamento e marca o movimento da Infoblox para expandir sua atuação no mercado, além do perímetro tradicional, integrando capacidades de proteger empresas contra phishing e uso fraudulento de marca, roubo de dados e credenciais, além de ameaças digitais externas.
Com a integração da tecnologia da Axur, a Infoblox passa a oferecer uma visão 360º da exposição digital. Enquanto a Infoblox atua na camada de DNS e rede, a Axur traz o braço de takedown automatizado (remoção de sites falsos e perfis maliciosos) e monitoramento de deep e dark web. Na prática, as empresas poderão bloquear comunicações maliciosas no DNS com a promessa de entregar uma detecção robusta de phishing para “remoção em menos de quatro minutos e alcançando taxas de sucesso de quase 99%, ajudando a reduzir o tempo médio de atividade do ataque de dias para horas”, segundo o comunicado.
Convergência no mercado de SI
O movimento da Infoblox segue uma tendência clara no setor: grandes players globais ampliam seus portfólios por meio da compra de empresas especializadas em nichos críticos, como proteção de identidade, monitoramento de riscos digitais e inteligência contra fraudes. Essa convergência responde à necessidade das organizações de contar com soluções integradas frente à complexidade das ameaças.
Essa consolidação do mercado de Cibersegurança é um movimento que a Security Report tem acompanhado de perto. O modelo de antigo de ferramentas de nicho está dando lugar a plataformas unificadas para ofertas de soluções end-to-end. Além disso, a complexidade no gerenciamento de dezenas de fornecedores é um dos pontos críticos que levam as empresas a repensarem as estratégias de cibersegurança, principalmente para reduzir silos, pontos cegos e camadas de exposição
As previsões mais recentes do Gartner indicam que a consolidação entrou em uma fase de maturação tecnológica. Até 2028, a consultoria estima que mais de 50% das empresas adotarão plataformas unificadas de Segurança baseadas em IA para gerenciar a explosão de riscos digitais e a escassez de talentos, consolidando a ideia de que a resiliência cibernética será impossível de alcançar através de ferramentas isoladas.
Os casos publicados na Security Report apresentam esse movimento. A Palo Alto Networs comprou a CyberArk por US$ 25 bilhões com objetivo de reforçar a identidade como eixo central da proteção cibernética em tempos de IA. A CrowdStrike adquiriu a Onum, uma startup especializada em gerenciamento de pipeline e filtragem de dados, com o objetivo de ampliar os recursos de sua plataforma Falcon e fortalecer a estratégia de SIEM de próxima geração.
A Sophos fez uma transação em dinheiro no valor aproximado de US$ 859 milhões para comprar a Secureworks, uma fusão que tinha como objetivo criar uma potência em MDR (Managed Detection and Response), unindo telemetria de rede com resposta a incidentes.
Já o caso Infoblox/Axur chama a atenção pela valorização da tecnologia brasileira. A Axur se destacou globalmente pela eficácia de seus algoritmos de IA em um cenário de crime cibernético extremamente criativo como o do Brasil. Para a Infoblox, não é apenas uma compra de carteira de clientes, mas a absorção de uma expertise em automação contra adversários modernos que utilizam IA.