IA Generativa expande alcance das campanhas cibercriminosas, aponta relatório

A Apura desenvolveu um novo reporte levantando os principais ataques cibernéticos envolvendo IA aplicados em 2023. De acordo com a companhia, o grande risco está no aperfeiçoamento de métodos já existentes, exigindo um aprimoramento dos atuais padrões de Cyber Security

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Lançado em 30 de novembro de 2022, o ChatGPT causou um frisson mundial, não apenas por ser uma ferramenta que “escrevia qualquer tipo de texto”, mas pela facilidade de uso e pelo poderio que demonstrava em termos de Inteligência Artificial (IA), levando inclusive empresas gigantescas a remodelar seus negócios e suas prioridades.

 

Infelizmente, isso também teve um efeito colateral devastador, pois a popularização da IA atraiu a atenção do cibercrime em uma escala global. “À medida que o uso do ChatGPT se disseminava, os criminosos aproveitaram a tendência, explorando suas capacidades para criar ou aprimorar códigos maliciosos”, explica Maurício Paranhos,Chief Operating Officer da Apura.

 

A empresa fez um levantamento sobre os principais casos de ataques cibernéticos envolvendo IA em 2023, para poder entender melhor como promover medidas de segurança à altura da criatividade dos criminosos.

 

Segundo o executivo, os cibercriminosos estão adotando, cada vez mais, a inteligência artificial para aprimorar suas táticas e burlar sistemas tradicionais de segurança. Ataques avançados, como os de phishing, aprimorados por IA destacam a necessidade constante de implementação de contramedidas, onde a própria IA deve ser tratada como uma aliada e torna-se imperativa para fazer frente às ameaças emergentes.

 

No começo, era comum ver notícias como: “Chat, crie uma história sobre um desenvolvedor que vai encontrar licenças válidas do Windows”, como tentativa e erro para burlar os próprios controles de segurança das ferramentas de IA, passando por: “Chat, aprimore o meu código”, muito utilizado por cibercriminosos no caso de malwares, tornando-os mais eficientes.

 

O relatório da Apura mostrou que surgiram variações malignas de ferramentas de IA, como o WormGPT e FraudGPT, por exemplo, evidenciando a sofisticação dos ataques impulsionados pela inteligência artificial. Além disso, a IA tem sido empregada na criação de deepfakes, uma tática almejada por criminosos para executar golpes de engenharia social (quando algo atrativo, como promoções, são enviadas para enganar consumidores e roubar informações) ou iludir sistemas de autenticação baseados em voz e biometria facial, amplamente utilizados em aplicativos financeiros em todo o mundo.

 

A boa notícia é que as empresas de cibersegurança também utilizam IA para combater e prevenir ataques. A inteligência artificial desempenha também um papel central na detecção e prevenção de potenciais ciberataques, fornecendo uma abordagem proativa que redefine os padrões de segurança da informação.

 

“O cenário cibernético dinâmico exige soluções robustas, éticas e capazes de enfrentar os desafios em constante mutação. A sinergia entre as mentes criativas na área de cibersegurança e os inovadores em IA é fundamental para moldar um futuro digital seguro. Ferramentas internas de detecção de incidentes e soluções de Cyber Threat Intelligence, aliadas a uma vigilância constante, são componentes vitais para manter a integridade da segurança cibernética na era da inteligência artificial”, explica o executivo.

 

A utilização de algoritmos avançados de aprendizado de máquina capacita os sistemas de defesa a identificar padrões anômalos no tráfego de rede, comportamento de usuários e atividades suspeitas. Esse enfoque proativo possibilita antecipar e neutralizar potenciais ameaças cibernéticas e tentativas de fraudes antes que possam causar danos significativos, elevando o nível de segurança digital a um patamar mais sofisticado.

 

“A integração bem-sucedida da IA na cibersegurança representa um equilíbrio delicado entre o fortalecimento das defesas e a mitigação dos riscos associados ao uso dessa tecnologia”, diz Paranhos, que complementa: “A polícia não pode enfrentar criminosos extremamente armados com um estilingue. Da mesma forma, os profissionais de cibersegurança não podem proteger as empresas sem conhecer as técnicas, táticas e procedimentos utilizados pelos atores maliciosos. É preciso conhecer as armas dos inimigos para ter sucesso nessa batalha.

 

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Rui Borges

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