Governança e monitoramento de dados teriam minimizado danos do caso Equifax

É impossível flagrar o que não se vê, e quando se está cego em relação a quem está acessando quais informações, uma violação de dados é praticamente inevitável

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Nos últimos dias, uma violação de dados na agência de crédito americana Equifax expôs dados pessoais de mais de 143 milhões de americanos, incluindo números do seguro social, endereços, licenças de motorista, dados de cartões de crédito de 209 mil consumidores americanos e documentos contendo informações pessoais identificáveis de cerca de 182 mil clientes, além da possibilidade de alguns residentes do Canadá e do Reino Unido também terem sido afetados.

 

Ainda não está claro se o responsável pelo ataque tinha a intenção de vender esses dados na dark web. A empresa também não deu muitos detalhes de como a violação de dados ocorreu, porém, afirmou que os hackers invadiram os sistemas da empresa por meio da exploração de uma vulnerabilidade de aplicação web para ganhar acesso a certos arquivos.

 

Apesar de não ter explicado qual aplicação ou qual vulnerabilidade foi a fonte do problema, é possível que os hackers tenham conseguido entrar por meio de alguma vulnerabilidade no website. Em seguida, é provável que os cibercriminosos tenham obtido privilégios e passado semanas (ou meses) despercebidos, comportando-se como um usuário interno comum – algo que podia ter sido minimizado se a empresa contasse com uma estratégia de governança de dados que garantisse o monitoramento de informações de alto valor.

 

É impossível flagrar o que não se vê

 

O ataque contra a Equifax mostrou que a empresa sofre com um problema comum em diversas organizações do mundo, incluindo o Brasil: poucas monitoram o acesso a seus dados sensíveis. Ou seja, quando um hacker consegue ultrapassar a barreira do perímetro, pode fazer o que quiser durante longos períodos de tempo sem ser notado. O principal problema está em não saber onde estão suas informações de maior valor e quem pode acessá-las.

 

Segundo a Equifax, os hackers tiveram acesso a dados específicos entre os meses de maio e julho – cerca de dois meses e meio de acesso. É como se um indivíduo entrasse em um banco disfarçado de atendente, fingindo trabalhar lá, e a gerência demorasse dois meses para notar que há um estranho andando pelos corredores e saindo de lá com dinheiro todos os dias.

 

Uma estratégia focada na base de dados, mas não nos dados do site e nos arquivos, por exemplo, pode deixar as empresas vulneráveis e praticamente cegas em relação ao que acontece com suas informações de maior valor. A Equifax, como uma série de outras empresas, tinha pouca ideia de onde estavam seus dados mais sensíveis e, provavelmente, não estava monitorando o que seus usuários estavam fazendo.

 

É impossível flagrar o que não se vê, e quando se está cego em relação a quem está acessando quais informações, uma violação de dados é praticamente inevitável.

 

Vulnerabilidades e violações sempre vão acontecer

 

Não importa o quanto você se esforce para manter suas aplicações atualizadas ou o número de sistemas que você usa para manter os hackers fora da rede. Existem dezenas de milhares de pessoas buscando novas maneiras de atacar todos os dias. Por isso, o monitoramento das informações de valor é mais importante do que nunca.

 

Uma estratégia de governança de dados que identifique e monitore os dados sensíveis é essencial para detectar precocemente ataques como o relatado pela Equifax e minimizar suas dimensões.

 

Quanto mais tempo uma empresa demora para identificar uma violação de dados e reagir, maiores são as consequências para o negócio, incluindo os custos de remediação e os danos à reputação. Dados como os da Equifax, quando expostos, podem arruinar vidas e negócios inteiros. É possível que a marca nunca se recupere totalmente.

 

Por Carlos Rodrigues, vice-presidente da Varonis para a América Latina

 

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