O Gartner prevê que, até 2028, falhas de configuração em Inteligência Artificial integrada a sistemas ciberfísicos (CPS) causarão a paralisação de infraestruturas críticas em um país do G20. O termo CPS abrange tecnologias como automação industrial (OT), robótica e Internet das Coisas (IIoT), que conectam o processamento digital ao mundo físico e aos seres humanos.
“A próxima grande falha de infraestrutura pode não ser causada por hackers, mas por um engenheiro bem-intencionado ou um decimal incorreto”, afirma Wam Voster, Vice-Presidente Analista do Gartner. “Um mecanismo de desligamento de emergência (kill-switch) acessível apenas a operadores autorizados é essencial para proteger sistemas nacionais de desligamentos não intencionais causados por IA.”
Modelos de IA mal configurados podem interpretar dados erroneamente ou desencadear ações autônomas inseguras em serviços vitais. O impacto pode variar de danos físicos a interrupções em grande escala, ameaçando a segurança pública e a estabilidade econômica ao comprometer redes elétricas ou plantas industriais de alta complexidade.
Redes elétricas modernas, por exemplo, usam IA para equilibrar geração e consumo em tempo real. Uma falha no modelo preditivo pode interpretar a demanda como instabilidade, acionando cortes de carga desnecessários em regiões inteiras. O risco aumenta à medida que esses sistemas ganham autonomia sem uma supervisão humana robusta.
“Os modelos modernos são complexos e se assemelham a ‘caixas pretas’”, diz Voster. “Mesmo desenvolvedores nem sempre preveem como pequenas alterações afetarão o comportamento do sistema. Quanto mais opacos esses modelos se tornam, maior o risco de uma configuração incorreta. É vital que seres humanos possam intervir quando necessário.”
Para mitigar esses riscos, o Gartner recomenda que os CISOs implementem mecanismos de sobreposição seguros em todos os sistemas críticos, garantindo o controle humano final. Além disso, o uso de Gêmeos Digitais em escala real permite testar atualizações e mudanças de configuração de forma realista antes da implementação nos sistemas ativos.
Por fim, é essencial exigir o monitoramento em tempo real com mecanismos de reversão imediata para qualquer alteração feita na IA de sistemas ciberfísicos. O Gartner também sugere a criação de equipes nacionais de resposta a incidentes voltadas especificamente para Inteligência Artificial, visando garantir a resiliência das infraestruturas essenciais.