Cibercrime fora da Dark Web: Como enfrentar os hackers menos sofisticados?

O movimento de campanhas cibercriminosas na chamada surface web aumentou em decorrência da disseminação de meios mais simples de ataques. Com isso, o número de agentes hostis cresceu, exigindo novas ações de Segurança para barrar esse avanço

Compartilhar:

Por Leonardo Camata*

O cenário da cibersegurança está em constante evolução e um fenômeno preocupante tem se destacado recentemente, que é o volume crescente de informações sensíveis, antes restritas apenas à dark web, agora cada vez mais acessível na deep e na surface web.

 

A dark web é uma parte oculta da internet, não indexada por motores de busca tradicionais e acessível apenas por meio de softwares específicos, como o Tor, que garantem anonimato e segurança para seus usuários. Historicamente, a dark web tem sido associada a atividades ilegais, como tráfico de drogas, venda de dados roubados e serviços de hacking. Em contrapartida, a surface web é a parte visível da internet, que todos acessam cotidianamente, com sites localizáveis por motores de busca, como o Google.

 

Os termos “dark web” e “deep web” remetem à ideia de um espaço separado e inacessível, que, de certa forma, agora está “emergindo” para a surface web, se tornando acessível ao público. Essa mudança decorre da maior acessibilidade e facilidade de uso das plataformas da surface web, como o Telegram e o Discord, que não exigem habilidades técnicas avançadas para serem utilizadas. O fenômeno está democratizando o cibercrime, tornando-o acessível até para indivíduos sem grande especialização técnica.

 

Uma analogia que torna mais compreensível a identificação deste novo tipo de cibercriminoso seria batizá-lo de “hacker cachorro caramelo“. Isso porque ele não é um hacker sofisticado, que poderíamos comparar com os cães de raça, mas um estelionatário comum, como os cachorros vira-latas, que aprendeu a usar as “receitas de bolo” dos hackers para obter vantagens ilícitas.

 

Indo direto ao ponto, o fato é que a migração para a surface web democratizou o cibercrime, permitindo que indivíduos com pouco ou nenhum conhecimento técnico utilizem ferramentas prontas para cometer fraudes. Scripts maliciosos, tutoriais e kits de hacking estão amplamente disponíveis em plataformas populares, eliminando a barreira de entrada que antes existia na dark web. Isso resultou na expansão do número de cibercriminosos em atividade, o que aumenta a pressão sobre empresas e governos, exigindo uma reformulação das estratégias de segurança digital.

 

Pequenas e médias empresas, em particular, estão mais vulneráveis a ataques oportunistas. Além disso, o uso de criptografia em aplicativos de mensagens dificulta o monitoramento pelas autoridades, tornando essencial o desenvolvimento de novas tecnologias de detecção de ameaças e colaboração internacional.

 

Em suma, o cibercrime na surface web impõe desafios robustos como a rápida evolução de técnicas, a dificuldade de monitoramento e a acessibilidade de ferramentas criminosas.

 

A resposta proativa a este cenário envolve a adoção de novas tecnologias de detecção antecipada, como inteligência artificial, e a criação de políticas mais rígidas de segurança digital. Além disso, a conscientização sobre segurança cibernética deve ser reforçada, e as plataformas de comunicação precisam investir em ferramentas que identifiquem atividades ilícitas.

 

Sem esses esforços, a raça dos ‘hackers cachorros caramelos” tende a se proliferar possivelmente na mesma proporção dos simpáticos animais que conquistaram o coração dos brasileiros a ponto de serem considerados por muitos como um símbolo da simplicidade do nosso povo. Só que no caso dos cibercriminosos desta categoria, acariciá-los levará a grandes prejuízos a todos.

 

*Leonardo Camata é CTO do SafeLabs

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Caso Vercel: IA vira vetor de ataque e expõe risco sistêmico em frameworks web

Violação via Inteligência Artificial de terceiros amplia riscos na cadeia de suprimentos e revela falta de visibilidade sobre dependências críticas
Security Report | Overview

Pesquisa detecta novo ataque de roubo de dados por financiamento de veículos

Ataque identificado pela Tempest explora a busca por emprego no setor de logística para roubar dados e realizar biometria facial...
Security Report | Overview

Pix evolui na devolução de valores, mas enfrenta desafio da manipulação humana

Aprimoramento do ressarcimento pós-fraude expõe a necessidade urgente de novas estratégias preventivas contra a engenharia social
Security Report | Overview

Relatório detecta 309 bancos de dados de organizações brasileiras expostos

No Mês da Mentira, estudo Digital Footprint Intelligence revela que violações de redes brasileiras se tornam moeda de troca para...