Carros conectados: estamos seguros?

Inúmeros casos de violações de veículos levantam questionamentos sobre a maturidade das montadoras em desenvolver sistemas digitais para automóveis; para especialista, setor engatinha, mas deve superar desafios por meio da pressão de órgãos reguladores e do próprio consumidor

Compartilhar:

Segundo uma pesquisa realizada pela Ford, cerca de 5 milhões de veículos estarão conectados à internet no Brasil até 2.023. Nos dias de hoje, tal característica não está presente em 1% da frota brasileira, enquanto a conectividade é realidade em 15% dos carros norte-americanos. Contrastes à parte, a realidade é uma só: o carro digital deve ganhar mais espaço nas ruas nos próximos anos.

 

No entanto, tudo que diz respeito ao digital remete a riscos e com o setor automotivo não é diferente. Desde que montadoras começaram a investir em veículos conectados, inúmeros casos de violação vieram à tona, principalmente quando pesquisadores conseguiram assumir o controle de um carro a partir de uma conexão sem fio. O caso levou a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) fazer um recall de 1,4 milhão de veículos.

 

Diversos outros exemplos de brechas de segurança em carros já foram divulgados desde então, porém, o último caso divulgado, agora envolvendo a gigante Tesla, tem levantado questionamentos sobre a maturidade das montadoras em desenvolver esses sistemas digitais automotivos (recentemente, um time de pesquisadores conseguiu clonar as chaves eletrônicas do Tesla Model S em menos de dois segundos usando equipamentos simples).

 

Na opinião de Paulo Braga, Sales Engineer da Netscout/Arbor, as montadoras ainda estão engatinhando e parte disso se dá às vulnerabilidades encontradas nos sistemas embarcados. “Até pouco tempo, os componentes eram quase todos analógicos e muito raramente os veículos eram conectados. Hoje os sistemas embarcados controlam importantes componentes, tais como freios, direção, combustível, entre outros. Uma falha em algum desses itens pode levar a consequências sérias”, explica.

 

O caso Tesla chama atenção pelo fato de um ex-funcionário da empresa, que teve seu NDA expirado, ter revelado em um fórum de que as práticas utilizadas pelos engenheiros são básicas. Parte disso se dava à pressão pela entrega ou pelo corte de custos. “Esse não é um problema novo. Há pressão por prazos nos mais diversos perfis de empresas, muitas vezes sem a devida avaliação de segurança”, afirma Braga.

 

Responsabilização

 

“Se pensarmos sob a perspectiva de proteção ao consumidor, certamente as montadoras deveriam ter maior proatividade em avisar os usuários quando alguma vulnerabilidade é encontrada, do mesmo modo que hoje já o fazem em relação a problemas em componentes do carro (os famosos recalls)”, explica o especialista.

 

O Código de Defesa do Consumidor obriga os fornecedores a informar ao público quando há riscos para a segurança física dos consumidores. “As montadoras deveriam auditar os sistemas embarcados e corrigir gratuitamente os problemas encontrados. Seriam auditorias realizadas por empresas terceiras especializadas e a correção dos problemas deveria ser feita no momento das revisões, que são obrigatórias”, complementa.

 

Segundo Braga, as montadoras precisam entender que vulnerabilidades sempre surgirão, porém, reagir corretamente em relação ao tratamento e divulgação das falhas é fundamental. Já os consumidores têm que pressionar as companhias para fornecerem as atualizações de seus sistemas da mesma forma que se faz com os recalls.

 

“Pode levar tempo até esse mercado atingir a maturidade, mas a pressão de órgãos reguladores e do próprio consumidor (desde que bem conscientizado) pode certamente contribuir para a superação dos desafios nesse setor”, finaliza.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Keynotes do SL Porto Alegre abordarão investigação digital, Inovação e Computação Quântica

Quinta etapa do roadmap 2026 do maior Congresso de Cibersegurança do país desembarca na capital gaúcha para discutir alguns dos...
Security Report | Destaques

Cibercrime acelerado pela IA: como reequilibrar uma disputa assimétrica?

O uso intensivo da tecnologia elevou em 89% ataques com IA e reduziu o tempo de invasão, de acordo com...
Security Report | Destaques

O elo mais frágil? Interconectividade e supply chain elevam desafios da resiliência cibernética

Em debate no Security Leaders Belo Horizonte, líderes discutem a urgência de blindar a cadeia de suprimentos e transformar a...
Security Report | Destaques

Grupo SADA fortalece resiliência cibernética a partir de visibilidade estratégica

Estudo de Caso apresentado no Security Leaders Belo Horizonte 2026 mostra como o Grupo SADA, com apoio da Danresa e...