Avast anuncia compra da AVG

Em entrevista à Risk Report, Vince Steckler, CEO da Avast, afirma que aquisição da rival é estratégica para liderar o mercado de segurança voltada para IoT; para especialistas, fusões recentes não significam monopólio

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Por Alexandre Finelli

“Com a compra, teremos um aumento da capacidade de crescer substancialmente em canais emergentes, como a Internet das Coisas”. Em entrevista à Risk Report, Vince Steckler, CEO da Avast, disse que este é um dos principais objetivos da companhia ao anunciar a compra da sua rival AVG por US$ 1,3 bilhão.

“A empresa passa a ter 400 milhões de usuários, 160 milhões somente no ambiente móvel. Com a aquisição, queremos ganhar escala, profundidade tecnológica e expansão geográfica a fim de nos tornarmos líder em segurança digital”, revela Steckler.

Prova disso é que, como parte do acordo, novas linhas de produtos devem surgir, como a Location Labs, um novo negócio projetado para segurança móvel a fim de “manter os adolescentes e as famílias seguras”.

“As duas empresas têm produtos inovadores e estamos comprometidos com o desenvolvimento de novas soluções que agregam valor para os nossos clientes”, afirma o executivo e acrescenta que cada organização operará separadamente e não haverá nenhuma mudança nos produtos atuais. A companhia utilizará a combinação das duas marcas, devido a forças associadas em diferentes mercados.

Mercado de fusões

Esta não é a primeira notícia que movimenta o mercado de Segurança da Informação neste ano. No mês passado, foi a vez da Symantec anunciar a compra da Blue Coat, fazendo a maioria dos usuários se questionar se estamos próximo de um monopólio.

“No curto prazo, não parece provável que tenhamos uma concentração maior do que a atual. A característica desse mercado é apresentar soluções globais e, dessa forma, a consolidação em poucos players relevantes é inevitável. Mas não podemos deixar de notar que esse é um cenário em constante mutação no qual a velocidade, criatividade e inovação são a essência do negócio”, acredita Rogério Gollo, sócio da PwC.

Segundo Leandro Marco Antonio, Cyber Security Partnet da KPMG, esse movimento é natural. “Essas fusões servem de alerta para empresas mais tradicionais, que precisam trabalhar continuamente na melhoria do portfólio e expansão das funcionalidades. Ou então fundir com empresas para terem esse complemento”, finaliza.

Falando nisso…

A fabricante de microprocessadores Intel também está considerando a venda de seus negócios de cibersegurança. Segundo o jornal Financial Times, a Intel tem conversado com assessores financeiros sobre as opções para a unidade Intel Security, conhecida anteriormente como McAfee e comprada pela companhia por 7,7 bilhões de dólares em 2011.

Em abril, a companhia informou que planejava cortar até 12 mil empregos no mundo em estratégia para concentrar seus negócios na produção de chips para centrais de processamento de dados e dispositivos conectados à Internet. Procurada, a empresa não se manifestou sobre o assunto.

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