A conta já chegou para a segurança na era da IA

Com a expansão da IA, empresas correm para modernizar estratégias de segurança diante de riscos que já afetam a operação

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Por Cláudio Bannwart*

 

A discussão sobre segurança em Inteligência Artificial não é mais algo conceitual. A conta já chegou, e ela aparece no centro das decisões de investimento das empresas, impulsionada por um cenário no qual usuários, aplicações, dados e agentes automatizados acessam sistemas de qualquer lugar, o tempo todo. A combinação entre nuvem e inteligência artificial expôs, com clareza, os limites das abordagens tradicionais.

 

O que observo no mercado é uma mudança objetiva de foco. As lideranças não estão procurando mais ferramentas, nem tentando estender arquiteturas antigas para resolver desafios novos. A prioridade passou a ser uma modernização real da forma como segurança e redes são pensadas, operadas e integradas ao negócio. Isso cria uma imensa oportunidade para quem consegue endereçar essa transição de forma consistente.

 

Grande parte das soluções legadas ainda opera com uma lógica binária, baseada em permitir ou bloquear aplicações. Esse modelo foi suficiente em outro contexto, quando o uso de tecnologia era mais previsível e centralizado. Hoje, ele gera um impasse entre produtividade e proteção, porque não consegue lidar com fluxos modernos de dados, integrações via APIs e o uso intensivo de IA. O custo dessa limitação aparece na forma de falta de compreensão dos riscos ou de restrições que afetam diretamente a operação.

 

Para modernizar, é fundamental entender o funcionamento real da internet atualmente. Comunicações máquina a máquina, APIs e dados estruturados exigem uma abordagem capaz de interpretar contexto, ou seja, quem está acessando, o que está sendo acessado, quais dados estão envolvidos e com qual finalidade. Esse nível de granularidade é o que viabiliza decisões de segurança mais inteligentes e alinhadas às prioridades do negócio, sem comprometer a experiência do usuário.

 

A IA amplia essa discussão. Com seu uso já sendo uma realidade disseminada nas empresas, o desafio agora não é barrar essa adoção, mas sim estabelecer diretrizes que protejam os dados e permitam que as empresas usem a IA com confiança. Um relatório recente mostra que as violações de políticas de dados relacionadas à IA generativa mais que dobraram em 2025, com as empresas enfrentando uma média de 223 incidentes por mês, e cerca de metade delas ainda sem políticas eficazes de proteção de dados para essas ferramentas. Essas tendências ilustram como a rápida adoção sem a devida governança aumenta o risco, tornando a segurança um fator essencial para que as empresas avancem com mais clareza e segurança.

 

Esse contexto também acaba redefinindo o papel dos parceiros de canal. O mercado valoriza cada vez mais quem consegue traduzir essa modernização em decisões práticas, com menos complexidade e mais eficiência operacional. Serviços gerenciados e especialização em segurança para aplicações em nuvem e IA já não são diferenciais pontuais, mas parte do núcleo das demandas das empresas.

 

O ponto central é que essa realidade já se impôs às lideranças. Os limites de modelos que não acompanham a complexidade atual do ambiente digital já estão sendo sentidos na operação, na gestão de riscos e na tomada de decisão. Segurança, IA e nuvem não são temas separados, são partes de uma mesma arquitetura de negócios, e tratá-los de forma integrada é o que sustenta crescimento, resiliência e confiança no ambiente digital.

 

*Cláudio Bannwart é Country Manager Brasil da Netskope

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