O uso massificado das ferramentas de Inteligência Artificial abriram caminho para um novo desafio para o setor de tecnologia, que é a gestão dos dados corporativos e pessoais de forma soberana. Nesse sentido, o Vice-Presidente de Tecnologia e Gestão de Produtos da Fortinet, Robert May, defendeu que a indústria de Segurança Cibernética deverá direcionar seus esforços para dar suporte a essa nova tendência de caráter global.
Conforme explicou May, durante entrevista exclusiva à Security Report no Fortinet Cybersecurity Summit 2026, em São Paulo, é possível notar uma movimentação mundial de grandes e médias potências na direção de manter a gestão de informações cada vez mais sob o controle direto dessa governança. Essa tendência se alinha à necessidade de capacitar os poderes públicos na gestão de ferramentas de IA cada vez mais potentes e desafiadoras.
Exemplos como Austrália e países do Oriente Médio buscaram fortalecer suas leis de Segurança de dados, enquanto China e Estados Unidos miram em construir ambientes ainda mais segmentados no contexto de seus governos federais, e as nações partes de alianças como a OTAN veem na centralização de data centers um meio de manter dados essenciais de seus cidadãos fora dos eixos de influência de eventuais adversários externos.
“Vemos essa tendência global de países alinhando diversos serviços online debaixo de um mesmo guarda-chuva de tecnologia e controle, o que pode, ao mesmo tempo, representar um avanço na soberania digital dos países e suas sociedades, mas também um desafio de criticidade para proteger esses dados concentrados. Em um contexto em que as ameaças se tornaram mais rápidas e precisas a partir dos agentes de IA, esses riscos precisarão ser analisados com ainda mais cuidado”, acrescentou May.
Esses riscos, segundo o executivo, podem ir além dos conhecidos impactos financeiros de um ciberataque. Pensando no fundamento “garbage in, garbage out”, tanto as organizações públicas quanto privadas estão sujeitas a impactos de natureza reputacional a partir de um mau uso da Inteligência Artificial, expondo dados ou envenenando prompts que conduzirão a respostas danosas para essas instituições, para clientes e cidadãos comuns.
Devido a isso, a preocupação do equilíbrio entre soberania digital e governança na era da IA se tornou um tema fundamental tanto para as empresas quanto para as instituições governamentais. Assim, May aponta que o posicionamento estratégico da Fortinet envolve participar dessas mudanças na gestão de informações dentro dos países, apoiando os meios necessários para que os planos de soberania digital gerem o valor de Segurança esperado.
“Na condição de provedores, precisamos estar dispostos a oferecer nosso suporte e serviços nas mesmas localidades em que os clientes e parceiros atuam. Para onde os dados estão indo? Em que lugar estão armazenados? Quais agentes podem acessá-los? Essas e outras perguntas se tornaram cruciais para que os serviços de SI suportem, em condições favoráveis, tanto o avanço digital dos governos quanto a expansão das tecnologias emergentes”, disse May.
Conformidade da iniciativa privada
Esse posicionamento também diz respeito às organizações particulares que atuam nesses países, visto que, para elas, é fundamental manter-se em conformidade com os arcabouços locais de proteção de dados, bem como alinhar-se da forma possível às estratégias de privacidade e soberania desses países. May reforça que tal cenário demanda um olhar ainda mais assertivo sobre a proteção das cadeias de suprimentos interdependentes.
“Hoje vemos muitas demandas diversas, desde a estratégia de centralizar a circulação de dados em ambientes fechados para proteger registros sensíveis e propriedades intelectuais até estruturas mais descentralizadas, que dependem de parcerias externas. Nosso objetivo é estar preparado para apoiar empresas e governos independentemente de onde elas desejem atuar”, conclui o Vice-Presidente.