ROI e RONI em Cibersegurança: entendendo as diferenças e seu impacto estratégico

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Por Fábio Araújo*

 

No cenário atual de cibersegurança, organizações enfrentam um desafio recorrente: justificar investimentos significativos em controles, tecnologias e equipes de segurança diante de executivos orientados a resultados financeiros. Tradicionalmente, métricas como ROI (Return on Investment) são utilizadas para avaliar o retorno de projetos e iniciativas. No entanto, quando o assunto é segurança da informação, surge um conceito complementar e igualmente relevante: RONI (Risk of Not Investing).

 

Compreender as diferenças entre ROI e RONI é essencial para decisões estratégicas mais maduras e alinhadas ao apetite de risco da organização.

 

O que é ROI (Return on Investment)

O ROI mede o retorno financeiro obtido a partir de um investimento realizado. A fórmula clássica é:

 

ROI = (Ganho obtido – Custo do investimento) / Custo do investimento

 

Em áreas como marketing, vendas ou expansão operacional, o ROI costuma ser relativamente direto de calcular, pois os ganhos são visíveis e mensuráveis em receita ou redução de custos.

 

ROI em cibersegurança

Em cibersegurança, o ROI tende a ser indireto e difícil de quantificar, pois o objetivo principal não é gerar receita, mas evitar perdas. Exemplos de benefícios que podem ser associados ao ROI incluem:

 

  • Redução do número de incidentes de segurança
  • Diminuição do tempo de indisponibilidade de sistemas
  • Menores custos com resposta a incidentes e recuperação
  • Preservação da reputação da marca

 

Mesmo assim, muitas vezes o ROI parece baixo ou impreciso, pois mede “eventos que não aconteceram”.

 

O que é RONI (Risk of Not Investing)

O RONI representa o risco financeiro, operacional, legal e reputacional de não realizar um investimento. Em vez de perguntar “quanto eu ganho investindo?”, o RONI pergunta:

 

“Quanto eu posso perder se não investir?”

 

No contexto de cibersegurança, essa abordagem costuma ser mais realista e eficaz para embasar decisões.

 

RONI em cibersegurança

O RONI considera cenários de risco e seus impactos potenciais, como:

 

  • Vazamento de dados sensíveis (LGPD/GDPR)
  • Multas regulatórias e sanções legais
  • Paralisação de operações críticas
  • Perda de confiança de clientes e parceiros
  • Custos de resposta a incidentes, forense digital e ações judiciais

 

Exemplo prático:

 

Não investir em um sistema de detecção de intrusões pode resultar em um ataque ransomware que paralise a operação por dias, gerando prejuízos muito superiores ao custo do investimento evitado.

 

Principais diferenças entre ROI e RONI

Conteúdo do artigo

 

Por que o RONI é mais eficaz em cibersegurança

 

A cibersegurança é, por natureza, uma disciplina de gestão de risco. Ataques são probabilísticos, impactos são variáveis e os danos podem ser sistêmicos. Nesse contexto:

 

  • O ROI isolado tende a subestimar o valor da segurança
  • O RONI traduz riscos técnicos em linguagem financeira
  • Executivos compreendem melhor cenários de perda do que benefícios intangíveis

 

Além disso, o RONI se alinha a frameworks consolidados como ISO 27001, NIST CSF e práticas de Enterprise Risk Management (ERM).

 

O equilíbrio entre ROI e RONI

Embora o RONI seja especialmente relevante, o ideal não é abandonar o ROI, mas combinar ambas as abordagens. Um modelo maduro de decisão em cibersegurança:

 

  • Usa ROI para comparar eficiência entre soluções
  • Usa RONI para justificar a necessidade do investimento
  • Prioriza investimentos com alto impacto na redução de risco

 

Essa combinação fortalece o diálogo entre áreas técnicas, financeiras e executivas.

 

Conclusão

No cenário de cibersegurança, confiar exclusivamente no ROI pode levar a decisões equivocadas e subinvestimento em controles críticos. O RONI surge como uma métrica estratégica, capaz de demonstrar que não investir em segurança também tem um custo — muitas vezes exponencialmente maior.

 

Organizações que incorporam o RONI em seus processos decisórios conseguem alinhar melhor segurança, negócios e governança, transformando a cibersegurança de um centro de custo em um pilar de resiliência e sustentabilidade corporativa.

 

*Fábio Araújo é CISO Advisor

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