50% das credenciais válidas são fáceis de quebrar, aponta relatório

Com mais de 160 milhões de simulações de ataques, relatório alerta que credenciais válidas são fáceis de roubar e é quase impossível impedir

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A CLM analisa os resultados do The Blue Report 2025, feito por sua parceria com a Picus Security a partir de mais de 160 milhões de simulações de ataques reais, entre janeiro e junho de 2025. Os resultados da pesquisa mostram que, em 46% dos ambientes, pelo menos uma senha foi quebrada com sucesso. Aumento em relação aos 25% de 2024.

 

A CLM avalia que esses números evidenciam o ser humano como um dos elos mais fracos da cibersegurança e a necessidade de políticas contínuas de fortalecimento das senhas e de atualização. Outro dado é que os ataques realizados com credenciais válidas roubadas são praticamente imparáveis. Em 98% das vezes, os ataques foram bem-sucedidos, tornando técnicas como Contas Válidas (MITRE ATT&CK T1078) uma das maneiras mais confiáveis de contornar defesas sem ser detectado.

 

Segundo Francisco Camargo, CEO da CLM, o estudo revela que, enquanto os ciberataques crescem em volume e sofisticação, a eficácia defensiva diminui. “Isso mostra a rapidez com que uma única credencial comprometida pode abrir caminho para movimentação lateral e roubo de dados em larga escala. Com a prevalência de malwares infostealer, que triplicaram e os invasores contornam cada vez mais as defesas com logins válidos, os riscos de ameaças persistentes e quase invisíveis são crescentes”, completa.

 

A prevenção contra exfiltração de dados é quase zero: as tentativas de exfiltração de dados foram interrompidas em apenas 3% dos casos, ante os 9%, em 2024. Dr. Süleyman Ozarslan, cofundador da Picus Security e vice-presidente da Picus Labs, afirma que é necessário operar sob a premissa de que os adversários já têm acesso. “Uma mentalidade de ‘assumir a violação’ leva as organizações a detectarem o uso indevido de credenciais válidas com mais rapidez, conter ameaças rapidamente e limitar a movimentação lateral — o que exige validação contínua dos controles de identidade e detecção comportamental mais robusta.”

 

Ransomware continua sendo uma das principais preocupações

De acordo como estudo, o BlackByte ainda é a variante mais difícil de prevenir, com uma taxa de prevenção de apenas 26%. BabLock e Maori seguem com 34% e 41%, respectivamente. A detecção precoce é um ponto cego importante. Técnicas de descoberta de configuração de rede, de sistemas e de processos pontuaram abaixo de 12% em eficácia de prevenção, expondo lacunas nos esforços de detecção.

 

O Blue Report 2025 também revela que a eficácia da prevenção caiu de 69% em 2024 para 62% em 2025, revertendo os ganhos do ano anterior. Somente 14% dos ataques geraram alertas, o que significa que a maior parte das atividades maliciosas ainda passa despercebida. Falhas na configuração das regras de detecção, lacunas nos registros e integração de sistemas continuam a prejudicar a visibilidade das operações de segurança. Esses números mostram a rapidez com que as defesas podem se degradar sem supervisão e validação contínuas dos controles de segurança.

 

Segundo o relatório, as empresas na América Latina enfrentam um paradoxo preocupante: apesar de apresentarem uma taxa de eficácia de prevenção superior à média global (68%), sua capacidade de detecção é crítica, uma vez que apenas 6% das ameaças foram devidamente detectadas, a menor taxa entre todas as regiões analisadas, destacou Sérgio Dias, Regional Sales Director Latam da Picus Security, durante a participação conjunta da CLM e da Picus no Mind The Sec 2025, reforçando a urgência de ampliar a visibilidade e a detecção comportamental nos ambientes corporativos latino-americanos.

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