Quatro tendências de privacidade de dados para 2023

Evolução legal e desenvolvimento de novas tecnologias devem influenciar ações de empresas e consumidores

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Vazamentos gigantescos, golpes pelas redes sociais, mensagens de texto disparadas para celulares cobrando dívidas com grandes marcas. O tratamento dispensado aos dados pessoais no Brasil segue sendo um grande desafio para as empresas – e o pouco cuidado com essas informações ainda é fonte de uma série de problemas para os consumidores.

 

De acordo com um relatório elaborado pela consultoria Statista Research Department, cerca de 52 milhões de violações de dados pessoais foram registradas apenas nos últimos três meses de 2022.

 

Apesar da regulamentação gerada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), de 2018, esse tipo de ocorrência continua acontecendo país afora. Para a diretora de Tecnologia e DPO da Tecnobank, Adriana Saluceste, o mercado ainda está se adequando.

 

“A regulamentação existe e deveria ser o bastante para que as pessoas estivessem protegidas, mas infelizmente isso ainda não acontece em todos os casos. Vemos que golpes que utilizam informações que deveriam ser privadas seguem sendo muito comuns. Esse cenário deve começar a mudar conforme as empresas passem a adotar novas formas de proteger os dados de seus clientes e usuários”, pontua. Responsável justamente por esse setor em uma empresa especializada em tecnologia para registro de contratos de financiamento de veículos, ela faz uma lista das tendências de privacidade de dados que devem dominar o mercado em 2023.

 

1) Privacidade por design

 

Em um passado recente, a preocupação com a privacidade dos dados vinha depois de todas as outras etapas de desenvolvimento de um projeto. Agora, as empresas começam a incluir a proteção de dados no início do processo de desenvolvimento. No caso da privacidade por design (privacy by design), algumas práticas aparecem como ferramentas para aumentar o nível de proteção. Entre elas, estão a já conhecida criptografia e a anonimização de dados.

 

2) Aumento da regulamentação

 

Ao contrário do que acontece no Brasil, muitos países pelo mundo ainda não têm leis especificamente desenhadas para garantir a responsabilização das empresas pelos dados que coletam, utilizam e armazenam. E, mesmo nos países que possuem esse tipo de legislação, a rigidez das regras e da fiscalização são duas tendências aguardadas para este ano.

 

3) Mais liberdade de escolha

 

“Utilizamos cookies para melhorar sua experiência”: esse tipo de frase tem presença garantida na maior parte dos sites. Em muitos casos, o usuário consegue acessar configurações e determinar quais dados quer compartilhar, mas, em outros, isso ainda não é possível. “Uma das tendências em privacidade de dados é, justamente, uma maior liberdade para fazer essa escolha. Em breve deve ser possível, por exemplo, retirar as próprias informações de sites, aplicativos e serviços que você não utiliza mais”, explica Adriana.

 

4) Transparência

 

Seguindo a mesma onda, a forma como empresas coletam os dados de seus usuários e consumidores também deve sofrer mudanças, principalmente quanto à transparência. Explicar às pessoas quais informações estão sendo coletadas, por que elas são necessárias e de que forma serão utilizadas deve se tornar uma prática cada vez mais frequente, opina a especialista.

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