Qual o novo papel da indústria com a aprovação da LGPD?

De investimento em Inteligência Artificial a auxílio para empresas usuárias, players explicam como lidarão com as novas regras e repercutem o veto à criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados

Compartilhar:

“A aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil é, sem dúvida, um passo importante. É um tema social que envolve governo, empresas e toda a população. Os impactos serão positivos em solo brasileiro e uma alavanca para as organizações latinoamericanas terem um compromisso maior com a segurança”.

 

A afirmação de Oscar Chavez-Arrieta, VP LATAM da Sophos, pontua bem o que a LGDP representa para o País. A Lei, que exigirá uma grande mudança nas empresas de todos os portes e segmentos, especialmente na conduta de coleta, armazenamento e segurança dos dados a partir de agora, também demandará que a indústria fornecedora se molde à nova realidade.

 

Segundo Pedro Paixão, VP de Vendas Internacionais e gerente-geral da Fortinet para América Latina e Caribe, a indústria trabalhará com o objetivo de inovar, incorporando Inteligência Artificial nas soluções para visualizar e operar internamente com dispositivos de segurança, a fim de reconhecer mudanças em ambientes de rede e automaticamente ser capaz de antecipar riscos, atualizar e fazer cumprir políticas de segurança.

 

Além de investimentos desse nível, a indústria terá um papel fundamental no auxílio às empresas para estarem em conformidade com a nova regra. “Acredito que as fornecedoras serão de grande ajuda para as organizações conseguirem se adequar às regras e garantir a proteção e a privacidade dos dados necessários”, explica Jeferson Propheta, diretor-geral da McAfee no Brasil.

 

No entanto, um projeto de proteção de dados adequado pode ser bastante complexo e precisa contar com tecnologias bem aplicadas, somadas a programas de análise de riscos e de classificação de dados. Na opinião de Propheta, as tecnologias existentes hoje são suficientes para atender a lei, desde que aliadas a processos eficazes.

 

“Não existe um único produto que as empresas possam adquirir para ficar 100% de acordo com a nova regra. Para ser eficiente, a segurança precisa de tecnologia, processos e pessoas. Investir na educação do usuário e estabelecer processos e políticas são ações fundamentais”, complementa o diretor da McAfee.

 

Segundo o especialista, é importante que todos os passos sejam adotados, desde conscientização do usuário, estabelecimentos de processos e um programa compreensivo de classificação de dados, complementados por tecnologias como DLP e CASB.

 

A repercussão do veto à ANPD

 

A indústria também se mostrou contrária aos vetos feitos pelo presidente Michel Temer ao sancionar a LGPD, principalmente em relação à criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Segundo Vladimir Alem, líder de Marketing e Desenvolvimento de Negócios da SonicWall, quando se sanciona uma lei como essa e não regula junto a um órgão responsável, fica um buraco na história.

 

“O fato de ter uma Lei de proteção de dados é de extrema importância. Mas perdemos uma oportunidade, pois chamamos atenção para um tema importante e não constituímos um órgão regulador”, diz. Segundo o executivo, a indústria tem o dever de fomentar a Segurança em todas as esferas.

 

“Um exemplo é o CEO da SonicWall, Bill Conner, que confrontou o governo norte-americano por simplesmente extinguir a pasta da secretaria específica que cuida dos crimes cibernéticos no país, montada pelo governo anterior. A gente acredita que se tem um tratamento regulatório e legislativo em todas as esferas da sociedade, conseguiremos mudar o cenário”, finaliza.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Unicred do Brasil sustenta Segurança e escala com SASE e inteligência de rede

Em painel no Security Leaders Porto Alegre, instituição e Agility detalham como arquiteturas modernas de conectividade simplificam o acesso de...
Security Report | Destaques

IA, autonomia e Cyber: Líderes discutem equilíbrio entre inovação e fator humano

Até que ponto a Inteligência Artificial agêntica tem condições de agir de forma autônoma, e em que momento o usuário...
Security Report | Destaques

79% dos ataques de ransomware usaram identidades como vetor de acesso inicial

Descoberta foi documentada no State of Ransomware 2026 da Sophos, anunciada hoje (15) pela empresa. De acordo com os executivos...
Security Report | Destaques

Jornada resiliente do Grupo Fácil transforma gestão de brechas e threat intelligence

A companhia de gestão empresarial em saúde contou com a parceria da Clavis para ampliar suas capacidades com SOC e...