A proteção contra fraudes e a mitigação de riscos financeiros e operacionais tornaram-se a principal preocupação e lideram os investimentos das instituições financeiras da América Latina em relação a pagamentos digitais. De acordo com a 7ª edição da pesquisa Pulso – O futuro dos pagamentos digitais na América Latina, conduzida pela Topaz, empresa do Grupo Stefanini especializada em soluções financeiras digitais, em parceria com a Celent, 40,7% dos entrevistados planejam investir em prevenção a fraudes nos próximos dois anos. O estudo ouviu mais de 1.000 líderes do setor financeiro em 20 países da região.
Segundo a pesquisa, à medida que os pagamentos digitais ganham escala na região, assegurar a integridade do sistema financeiro e proteger a jornada do usuário superam iniciativas voltadas apenas à experiência do cliente ou à inovação de produtos. Em países como Venezuela (79%), Colômbia (72%) e Chile (71%), a prevenção a fraudes e o controle de riscos financeiros são, de longe, o principal foco das instituições financeiras tradicionais.
“O avanço dos pagamentos digitais ampliou a inclusão financeira, mas também expandiu a complexidade do risco operacional e regulatório. A mensagem dos líderes do setor é clara: eficiência e escala precisam caminhar junto com confiança e resiliência”, afirma Jorge Iglesias, CEO da Topaz.
Fraude, risco e confiança
O estudo mostra que fraude e risco financeiro já figura entre os principais obstáculos internos para a expansão dos pagamentos digitais, ao lado da limitação de infraestrutura tecnológica. Como resposta, as instituições estão acelerando investimentos em sistemas avançados de prevenção a fraudes (47,1%), autenticação biométrica (46,7%) e validação digital de clientes – KYC – (39,5%).
No Brasil, por exemplo, 56% dos bancos afirmam estar implementando soluções avançadas de prevenção à fraude transacional, enquanto em países como Argentina o foco se divide entre biometria, validação digital e educação financeira dos usuários.
A pesquisa também aponta diferenças entre bancos tradicionais e fintechs na forma de lidar com risco e segurança. No Brasil, 45% dos bancos e cooperativas investem em educação financeira e digital como forma de mitigação de riscos, enquanto entre fintechs e neobancos esse índice é de 18%. O mesmo padrão se repete em outros países da região, como México (54% contra 14%), Chile (50% versus 30%) e Uruguai (60% ante 20%), indicando que os bancos tradicionais assumem um papel mais ativo na preparação dos usuários para um ambiente financeiro digital mais seguro e confiável.
Inteligência artificial aplicada à prevenção de fraudes
Outro dado relevante é o papel da inteligência artificial aplicada à segurança. Embora apenas um terço das instituições cite a tecnologia como prioridade geral de investimento, a detecção de fraudes é o principal caso de uso quando o tema é IA, evidenciando que ela vem sendo adotada e orientada à redução de riscos financeiros.
Aprofundando as expectativas de investimento em inteligência artificial, a pesquisa perguntou “para onde” os investimentos em IA estão direcionados e a detecção de fraude em tempo real foi a resposta mais frequente (53,9%).