Por que os CIOs estão apostando na infraestrutura como código?

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CIOs e CTOs perceberam que com essa solução suas equipes de operações de TI podem gerenciar, monitorar e provisionar a infraestrutura de forma automática, eliminando a necessidade de processos manuais e acelerando a resolução de muitas das complexidades associadas ao gerenciamento de ambientes de TI que seguem em constante expansão

*Por Paulo de Godoy

O impulso constante por inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias tornam o gerenciamento de TI cada vez mais complexo. Com isso, a necessidade de ampliar as capacidades digitais aumenta também o volume de aplicações e hardware nos ambientes de TI, gerando gargalos generalizados e problemas de desempenho que precisam urgentemente de soluções.

A infraestrutura como código se tornou uma solução moderna capaz de lidar com esse desafio. Já bem estabelecida como um modelo e crescendo rapidamente em popularidade, vale ressaltar que seu mercado está projetado em US$ 3,5 bilhões até 2030, de acordo com a Global Market Insights Inc. Isso porque os CIOs e CTOs perceberam que com essa solução suas equipes de operações de TI podem gerenciar, monitorar e provisionar a infraestrutura de forma automática, eliminando a necessidade de processos manuais e acelerando a resolução de muitas das complexidades associadas ao gerenciamento de ambientes de TI que seguem em constante expansão.

A mágica acontece porque a infraestrutura como código prioriza flexibilidade, agilidade e velocidade, além de levar confiabilidade e desempenho, com plataformas que integram experiências de TI de autoatendimento e soluções sob demanda de escalabilidade horizontal que ultrapassam as limitações da arquitetura física. Elas permitem que as empresas adotem um modelo operacional semelhante à nuvem sobre sua infraestrutura para oferecer uma experiência ágil às equipes de TI e mais apoio aos desenvolvedores.

A origem – entenda como chegamos até aqui

A infraestrutura como código surgiu na ascensão da virtualização de servidores, que por sua vez foi impulsionada pela necessidade de otimizar o gerenciamento da infraestrutura crítica de TI. Essa otimização exigia automação de monitoramento e alertas, pois rapidamente ficou claro que, quando você lida com uma grande frota de servidores físicos, todos executando muitas máquinas virtuais, a complexidade do gerenciamento se torna muito mais desafiadora. Desta forma, vimos uma aceleração das abordagens do banco de dados de gerenciamento de configuração (CMDB) para documentar quais máquinas virtuais são executadas em quais servidores físicos. Este processo evoluiu e se aprimorou, transformando a gênese da Infraestrutura como Código um requisito nas empresas modernas.

Por que é tão importante para os CIOs e CTOs?

A infraestrutura como código pode oferecer benefícios significativos às empresas, principalmente em termos de eficiência por meio da repetibilidade e taxas de erro amplamente reduzidas. Os seres humanos são ótimos em muitas coisas, mas realizar a mesma tarefa repetidamente e sem erros não é uma delas. A infraestrutura como código garante redução de níveis de erro humano, velocidade, eficiência aprimorada, redução de custos e eliminação do desvio de configuração, que ocorre quando as alterações no software e no hardware são feitas e não são rastreadas sistematicamente. Também facilita uma excelente escalabilidade, esteja o CIO ou CTO preocupado com apenas um servidor ou milhares, sem qualquer impacto nos recursos.

É possível superar a complexidade das soluções legadas

Um dos maiores desafios que os CIOs e CTOs enfrentam hoje é lidar com a complexidade, que geralmente resulta de como a infraestrutura da empresa evoluiu ao longo do tempo. Muitas grandes empresas tendem a agregar unidades de negócios formadas organicamente ou por meio de fusões e aquisições. Por isso é comum ter uma variedade de tecnologias diferentes – cada uma com pontos fortes e fracos específicos. Além dos desafios, está o fato de que essas soluções geralmente se sobrepõem. Uma estratégia eficaz da Infraestrutura como Código leva em conta a sobreposição. Pode haver boas razões para manter várias soluções de infraestrutura como código para casos de uso específicos, mas é importante ter políticas e protocolos claros e auditáveis específicos para o uso delas.

As soluções de Infraestrutura como Código precisam ser capazes considerar e superar o problema de desvio de configuração, que é provavelmente o maior desafio ao desenvolver estratégias de gerenciamento e avaliar como ferramentas específicas são usadas – especialmente em relação à integração DevOps.

Práticas recomendadas para o gerenciamento

Muitas vezes, os problemas são identificados apenas quando um incidente ou acidente ocorre em um ambiente ativo. Isso geralmente é resultado de cenários de teste e recuperação de desastres sendo cuidadosamente preparados e prescritos em termos do que realmente ocorre. Uma abordagem de prática recomendada para gerenciamento de infraestrutura como código é garantir que o banco de dados de gerenciamento de configuração (CMDB) seja válido, claro e bem monitorado e que as ferramentas para desvio sejam precisas. Além disso, é preciso considerar a consolidação de ferramentas para obter apenas um conjunto – e não muitos – de definições de como a infraestrutura se parece.

Além disso, é importante considerar como a equipe extrai configurações de dispositivos de terceiros, como firewalls, switches de redes ou arrays de armazenamento. Não se trata apenas dos ativos de tecnologia que sua empresa possui, mas dos equipamentos fornecidos por terceiros e como podem ser incorporados ao seu modelo de Infraestrutura como Código.

Sob a perspectiva de continuidade de negócios, essas configurações podem ser extremamente úteis ao tentar se recuperar rapidamente de um ataque de ransomware ou a perda de um data center. Isso ocorre porque a infraestrutura como código pode ajudar a restabelecer grandes elementos de forma rápida usando esses backups de configuração. O tempo que leva para recuperar uma aplicação de um backup é relativamente pequeno, mas recuperar 500 de uma só vez é uma tarefa imensa se for realizada manualmente.

Como aproveitar todo o potencial

Geralmente, quando falamos de infraestrutura como código, a ênfase está na infraestrutura. Também precisamos prestar mais atenção ao componente do código, para obter o máximo da solução. Hoje, muito mais desenvolvedores consomem infraestrutura diretamente de um sistema automatizado de sua própria TI interna. Os desenvolvedores querem ser capazes de construir suas próprias infraestruturas, testá-las e, às vezes, levá-las à pré-produção, sem ter que lidar com atrasos na criação de vários tickets de suporte técnico ou outros processos.

Facilitar essa maneira de trabalhar permite que as empresas aproveitem o verdadeiro potencial da infraestrutura como código, principalmente porque as aplicações modernas são escritas para serem nativas da nuvem usando contêineres e S3 para serem construídas.

O futuro da infraestrutura como Código

Essa é uma grande promessa e a popularidade da infraestrutura como código deve continuar à medida que a tendência de migração para a nuvem também se amplia. Isso não é uma surpresa, graças aos seus diversos benefícios, incluindo o modelo operacional semelhante à nuvem para mais velocidade e agilidade, além da capacidade de aprimorar e transformar o papel do desenvolvedor, entre outros. Daqui em diante, o desafio dos CIOs e CTOs é adotar políticas que permitam maximizar os benefícios da infraestrutura como código para atingir metas de negócios e, ao mesmo tempo, gerenciar custos.

*Paulo de Godoy é country manager da Pure Storage

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