[bsa_pro_ad_space id=3 delay=8]

Qual o papel das operações cibernéticas na guerra Rússia x Ucrânia?

Assim como o conflito reflete negativamente em vários aspectos, no mundo virtual não é diferente. Veja cinco perguntas sobre a guerra e os impactos causados no leste europeu

Compartilhar:

*Por Jeferson Propheta

 

O ataque da Rússia à Ucrânia abriu um debate sem precedentes sobre operações cibernéticas entre países durante um conflito bélico. Poderia, por exemplo, o governo dos Estados Unidos iniciar um ataque cibernético contra a Rússia? E quais seriam as consequências?

 

A explosão de conectividade da vida moderna, evidentemente, atinge infraestruturas críticas, como redes elétricas, água, gás, sistemas de trânsito e de saúde. Hoje, basicamente tudo está conectado. E justamente por este motivo, é que estamos todos, enquanto nações, passíveis de ataques cibernéticos e do caos.

 

Neste cenário, é compreensível que autoridades políticas de todo o mundo questionem qual papel o universo cibernético desempenhará em uma guerra moderna? Será que é possível mensurar até onde pode ir um ataque cibernético? A “guerra” vai chegar aqui no Brasil?

 

Jeferson Propheta, country manager da CrowdStrike Brasil, responde cinco perguntas sobre a guerra e impactos no ambiente virtual, considerando o atual momento de conflito entre Rússia e Ucrânia.

 

Como o ataque da Rússia à Ucrânia afeta as questões de cibersegurança?

 

Diferentemente de outras épocas, quando não seria uma surpresa observamos movimentos de hacktivismo com protestos de um lado e de outro, agora a tensão ciberarmamentista, em plena guerra, torna-se ainda maior. Vemos, por exemplo, que após o coletivo Anonymous anunciar apoiar a Ucrânia, o mesmo aconteceu com grupos russos, que já passaram por aqui como o Conti (operadores de ransomware). Sem dúvida, o momento é uma escalada cibernética sem precedentes e o medo que nos assola é que este armamento ciberbélico poderá ser utilizado em breve para monetização pelo crime cibernético.

 

Dá para mensurar até onde pode ir um ataque cibernético, pensando em ações e consequências?

 

Ao contrário de grupos de cibercriminosos que buscam monetização rápida e geralmente se aproveitam de pedaços de software ou combinação técnicas/vulnerabilidades divulgadas por pesquisadores, os governos que desenvolvem um ciberexército têm muito dinheiro e recursos para causar danos imensuráveis a infraestruturas críticas e mesmo a empresas privadas, por onde passam nosso dia a dia  digital. Acredito que esta seja uma escalada sem precedentes.

 

Como funciona um ataque cibernético para fins bélicos?

 

São ataques direcionados a infraestruturas críticas ou serviços de grande importância para a população, causando uma desordem nos sistemas como os conhecemos, afetando diretamente a habilidade do país de se comunicar, de utilizar sistemas críticos e transações financeiras, dentre outros serviços imprescindíveis para nosso dia a dia. Esse pânico criado por um possível ataque direcionado acaba forçando muitas pessoas e empresas a não operar normalmente e esse medo tem um impacto direto na relação com investidores, além de tirar a tranquilidade da sociedade.

 

Nos últimos dias, o CEO da CrowdStrike, George Kurtz, disse à CNBC que vem conversando com executivos de bancos dos EUA e eles estão preocupados com o potencial de serem alvo de ataques cibernéticos russos. Dá para falarmos o que pode acontecer neste sentido? O alerta não é só para bancos, mas também a autoridades políticas de outros países – incluindo o Brasil.

 

Este já é um exemplo do estabelecimento do caos! A conectividade e sistemas conectados viraram uma realidade do nosso dia a dia e ataques cibernéticos direcionados a vários pilares de uma sociedade podem ter danos irreversíveis. Por isso, todos estamos em atenção máxima, compartilhando informações importantes de ciberdefesa e preparando as equipes para responderem em caso de ataques cibernéticos.

 

Governos e corporações “estão prontos” para este momento? Ou como os recentes acontecimentos podem mudar a forma de pensarmos em cibersegurança?

 

Nos últimos dois anos, em especial em nossa região, vimos um aumento massivo nos ataques cibernéticos e a maioria deles executada por atores do crime digital e com foco principal em monetização. O grande sucesso do negócio dos e-criminosos vem em parte da falta de investimento em ciber, algo que falamos há anos. Hoje a segurança cibernética toma palco nas discussões dos executivos de grandes e pequenas empresas, pois precisa ser discutida, entremeada de forma estratégica nas empresas. Do contrário, apenas perdemos, aprendendo com a dor.

 

*Jeferson Propheta é Country Manager da CrowdStrike Brasil

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Cibercriminosos seguem mirando senhas fracas de PMEs na América Latina

Estudo da Kaspersky mostra que mais de 37% das pequenas e médias empresas latino-americanas sofreram alguma violação de cibersegurança nos...
Security Report | Overview

Novas vulnerabilidades críticas são encontradas em sistemas SAP, Cloudflare e WordPress, alerta laboratório

Consultoria Redbelt Security aconselha as empresas a adotarem uma abordagem colaborativa e proativa, adotando melhores práticas, tecnologias de vanguarda e...
Security Report | Overview

Febraban alerta para ligações de criminosos com falsas gravações para aplicar golpes

Como praxe, as organizações financeiras ligam para clientes como forma de confirmar transações consideradas suspeitas, mas jamais pedem dados pessoais...
Security Report | Overview

Ciberameaças às nuvens públicas crescem 93% em 2024, aponta relatório

Malware (41%), phishing (36%) e ransomware (32%) foram os que mais cresceram, atingindo principalmente ativos e armazenamento em Nuvem...