Método crescente no cibercrime mira CEOs e diretores para atingir empresas, ressalta estudo

De acordo com a ESET, os ataques de whaling utilizam a identidade de executivos de alto escalão para obter dados confidenciais, instalar malwares ou realizar transferências fraudulentas

Compartilhar:

De diretores a CEOs, representantes de empresas passam a ser alvos de cibercriminosos por meio do golpe chamado whaling, que significa a pesca aos grandes peixes das corporações. Trata-se de uma forma sofisticada de phishing que, diferente dos ataques tradicionais, com alvos aleatórios, centra forças em figuras-chave das organizações, explorando sua influência para obter informações confidenciais ou realizar fraudes financeiras.

 

“Os ataques whaling representam uma ameaça séria e crescente às organizações, que pode resultar em perdas financeiras significativas e comprometer informações confidenciais e relevantes para os negócios”, destaca Camilo Gutiérrez Amaya, Chefe do Laboratório de Pesquisa da ESET América Latina.

 

Ao menos 30% das organizações públicas ou privadas foram alvo de algum ataque cibernético na América Latina em 2023, mostra o relatório ESET Security Report, que analisa o estado da segurança digital das empresas na região. Um dos dados mais chamativos é que somente 27% dos colaboradores recebem capacitação periódica sobre segurança da informação, como treinamentos sobre como agir frente a distintos e-mails.

 

Esses ataques de whaling, também chamados de spearphishing por elegerem um alvo específico de uma equipe, combinam técnicas avançadas de engenharia social e pesquisas detalhadas sobre a organização e seus líderes. Criminosos cibernéticos costumam se passar por colegas ou parceiros de negócios, usando e-mails falsificados para enganar as vítimas e convencê-las a fornecer informações confidenciais, baixar malware ou realizar transferências de dinheiro.

 

Uma técnica comum nesses ataques é a fraude do CEO, pela qual os criminosos se fazem passar por altos executivos e enviam e-mails urgentes que parecem autênticos. As mensagens costumam exigir ações rápidas, como a aprovação de transferências financeiras ou a divulgação de dados sensíveis.

 

“Esses tipos de ataques aumentam a visibilidade para a conscientização de que todas as informações públicas podem ajudar os cibercriminosos a cometerem esses ataques nos quais a identidade de uma pessoa ou entidade é personificada. Os criminosos buscam perfis públicos de indivíduos, seja em redes pessoais como Facebook, Instagram, Twitter, ou perfis profissionais, por exemplo, no LinkedIn”, diz Gutiérrez Amaya.

 

A sofisticação dos ataques whaling torna sua detecção difícil, mas há sinais de alerta: remetentes com endereços de e-mail ligeiramente alterados, solicitações incomuns ou urgentes e, ocasionalmente, erros gramaticais ou ortográficos. Mesmo com o uso crescente de inteligência artificial para criar e-mails de phishing convincentes, eles não são perfeitos e a atenção a esses detalhes é fundamental, em uma política de segurança.

 

Para se proteger contra o whaling, a ESET recomenda ter cuidado ao compartilhar informações pessoais e profissionais em redes sociais, estabelecer procedimentos claros para verificar solicitações de dados ou movimentações financeiras por meio de múltiplos canais, implementar autenticação multifatorial e ferramentas avançadas de segurança, além de promover a educação constante dos colaboradores, especialmente executivos, sobre as táticas dos cibercriminosos e as tendências emergentes.

 

“A conscientização, o treinamento e a implementação de medidas de segurança robustas são essenciais para proteger as organizações contra essa forma insidiosa de crime cibernético. A resiliência cibernética é uma prioridade estratégica, e uma abordagem integrada e bem informada pode fazer toda a diferença na proteção contra esse e outros tipos de fraude cibernética”, conclui o pesquisador da ESET.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Caso Vercel: IA vira vetor de ataque e expõe risco sistêmico em frameworks web

Violação via Inteligência Artificial de terceiros amplia riscos na cadeia de suprimentos e revela falta de visibilidade sobre dependências críticas
Security Report | Overview

Pesquisa detecta novo ataque de roubo de dados por financiamento de veículos

Ataque identificado pela Tempest explora a busca por emprego no setor de logística para roubar dados e realizar biometria facial...
Security Report | Overview

Pix evolui na devolução de valores, mas enfrenta desafio da manipulação humana

Aprimoramento do ressarcimento pós-fraude expõe a necessidade urgente de novas estratégias preventivas contra a engenharia social
Security Report | Overview

Relatório detecta 309 bancos de dados de organizações brasileiras expostos

No Mês da Mentira, estudo Digital Footprint Intelligence revela que violações de redes brasileiras se tornam moeda de troca para...