Mega ciberataque ainda faz vítimas ao redor do mundo

Diretor da Europol afirma haver 200 mil vítimas em ao menos 150 países; na Ásia, sistemas de pagamento e serviços do Governo relataram apagões; no Brasil, serviços atingidos operam aos poucos

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A onda de ciberataques em larga escala ocorrida na última sexta-feira continua fazendo estrago ao redor do planeta. Segundo o diretor do Serviço Europeu de Polícia (Europol), Rob Wainright, as ações dos cibercriminosos já deixaram 200 mil vítimas em pelo menos 150 países. Em entrevista à EFE, o número de atingidos deve crescer, pois o vírus continuará se propagando à medida que as pessoas religarem as máquinas. “Nunca vimos nada como isso”, declarou o executivo.

 

Na visão do responsável pela Europol, o setor de Saúde é o mais exposto e recomendou que as instituições priorizem medidas de segurança para proteger seus sistemas, especialmente atualizarem as versões dos softwares utilizados. No entanto, Wainright afirmou que a ação deixou a mensagem clara de que todas as verticais de negócios estão vulneráveis e devem levar absolutamente a sério a necessidade de funcionar com programas atualizados.

 

Europa

 

No Reino Unido, especialistas em tecnologia trabalharam noite adentro para corrigir sistemas de computadores do Serviço de Saúde do país. Profissionais em cibersegurança do Serviço Nacional de Saúde (NHS) operaram ao lado do Centro Nacional de Cibersegurança (NCSC) e da agência de espionagem britânica, a GCHQ, para garantir o funcionamento das máquinas afetadas.

 

A companhia de telecomunicações Telefónica foi uma entre os muitos alvos na Espanha, embora tenha dito que o ataque foi limitado a alguns computadores em uma rede interna e não afetou clientes ou serviços. A Portugal Telecom e Telefónica Argentina disseram também terem sido alvos dos ataques.

 

A Renault informou que 90% de suas fábricas estavam operando normalmente hoje pela manhã, depois de a montadora francesa ter sido obrigada a suspender a produção em unidades da França e da Romênia para prevenir a propagação do ransomware.

 

Brasil

 

Os sistemas do INSS estão sendo reiniciados aos poucos, o que pode ocasionar atrasos pontuais no atendimento das agências. No entanto, o órgão tranquiliza que nenhuma informação dos contribuintes foi acessar pelos cibercriminosos.

 

Já o site do Tribunal de Justiça de Roraima voltou a funcionar na manhã de hoje, enquanto o Tribunal de Justiça do Espírito Santo ainda apura os prejuízos ocasionados pela suspensão dos sistemas.

 

Por meio da assessoria, A Telefônica Brasil informa que seus serviços não foram afetados pelo incidente. Mesmo assim, a empresa tomou medidas preventivas para garantir a normalidade de sua operação. A empresa informa também que os dados dos clientes estão seguros e que eles podem continuar usando os serviços normalmente.

 

Microsoft

 

A Microsoft informou que seus engenheiros adicionaram recurso de detecção e proteção contra o ransomware responsável pela interrupção de serviços ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

 

“Hoje nossos engenheiros adicionaram detecção e proteção contra um novo software malicioso conhecido como Ransom:Win32.WannaCrypt”, afirmou um porta-voz da Microsoft, em comunicado. A empresa disse que está trabalhando com clientes para fornecer assistência adicional.

 

Ásia

 

Governos e empresas asiáticas relataram algumas interrupções e especialistas em cibersegurança alertaram para um impacto mais abrangente à medida que mais trabalhadores acessarem computadores e e-mails.

 

Na China, sistemas de pagamento e serviços do governo relataram apagões ocasionados pelo ataque de ransomware, mas muito menos do que o esperado. As interrupções foram poucas no resto da Ásia, incluindo Japão, Índia, Coreia do Sul e Austrália.

 

Embora o efeito em entidades asiáticas tenha sido menos grave nesta segunda-feira do que se temia, profissionais da indústria assinalaram riscos em potencial no futuro.

 

Michael Gazeley, diretor-gerente da Network Box, firma de cibersegurança sediada em Hong Kong, disse ainda haver “muitas ‘minas terrestres’ esperando nas caixas de entrada dos e-mails das pessoas” da região, já que a maioria dos ataques acontece por esse meio.

 

A PetroChina disse que os sistemas de pagamento de alguns de seus postos de combustível foram afetados, mas que conseguiu restaurar a maioria dos sistemas. Vários organismos governamentais chineses, incluindo a polícia e autoridades de trânsito, relataram ter sido afetados pela invasão, de acordo com postagens em microblogs oficiais.

 

Já a Agência Nacional de Polícia do Japão relatou duas invasões de computadores no país no domingo – uma em um hospital e a outra envolvendo um indivíduo –, mas nenhuma perda de fundos.

 

O conglomerado industrial Hitachi disse que o ataque afetou seus sistemas em algum momento do final de semana, impedindo-o de receber e enviar e-mails ou abrir anexos em alguns casos. O problema persiste, disse a empresa.

 

Na Índia, o governo disse só ter recebido alguns relatos de ataques a sistemas e incentivou os atingidos a não pagar nenhum resgate aos invasores. Nenhuma grande companhia indiana relatou interrupções em suas operações.

 

* Com informações da Agências Reuters e EFE

 

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