O Brasil está entre os países com maior concentração de atividade do XWorm, um software malicioso que permite a criminosos escutar o ambiente ao redor do computador infectado, rastrear a localização e capturar imagens da webcam. Uma análise do Netskope Threat Labs mostra que a ameaça também permite controlar o navegador da vítima e acessar contas nas quais ela já está conectada, sem precisar roubar senhas.
No terceiro trimestre de 2026, o laboratório registrou 1.236 eventos de detecção do XWorm em mais de 100 empresas, quatro vezes o volume observado no mesmo período de 2025. O Brasil aparece ao lado de Índia, Itália, Panamá e Estados Unidos entre as nações mais afetadas. No recorte por setor, os serviços financeiros se destacam, reunindo aproximadamente 35% das organizações afetadas.
No computador infectado, os criminosos podem ativar a transmissão de áudio do microfone em tempo real e ouvir o entorno do dispositivo sem exibir pedido de autorização. Para rastrear a localização, o malware altera configurações do Windows para obter as coordenadas do aparelho ou utiliza a localização aproximada pelo endereço IP quando o GPS não está disponível.
Outro recurso permite que o invasor veja as páginas abertas no navegador e interaja com elas, digitando, clicando e navegando como se estivesse usando o computador da vítima. Como aproveita sessões em que o usuário já está conectado, o criminoso não precisa fazer um novo login nem passar pela autenticação multifator, mecanismo que exige confirmação adicional à senha.
Se houver suspeita de infecção, a orientação é verificar a atividade das contas usando outro dispositivo confiável, sem depender do navegador suspeito. Também é fundamental investigar e remover o software malicioso imediatamente, pois, enquanto permanecer instalado, os criminosos continuam controlando o dispositivo e acessando as contas conectadas.