LGPD: A entrada em vigor sem a criação da ANPD prejudica a aplicação da lei

Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) se pronuncia em relação à entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados

Compartilhar:

A Medida Provisória 959/2020 que prorroga a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) – Lei n° 13.709/2018, para o dia 3 de maio de 2021, tem sido motivo de disputa na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Caso a MP não seja deliberada pelo Congresso até o dia 26 de agosto, quando perderá sua vigência, pode retomar a entrada em vigor da LGPD já em agosto de 2020, criando um cenário de ampla insegurança jurídica. Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), trata-se de uma lei importante para todos: sociedade, setor privado e poder público. Porém, seria fundamental que fosse adiada, em função da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ainda não foi criada.

 

“A ANPD é essencial para que haja um equilíbrio entre proteção de dados pessoais e o desenvolvimento da economia digital. Além disso, tem papel importante para orientar e educar as organizações e as pessoas. Sem sua criação, a aplicação da lei fica prejudicada, gerando graves riscos ao setor e à sociedade, uma vez que não existem regulações para guiarem as organizações brasileiras em busca de conformidade com a LGPD”, afirma Leonardo Palhares, presidente da camara-e.net e sócio do Almeida Advogados.

 

Para a criação da autoridade é necessário um decreto presidencial, que estabeleça os parâmetros de sua estrutura, com a indicação de cinco diretores para comporem seu Conselho Diretivo. Além disso, os nomes devem passar por votação e aprovação no Senado Federal, antes de serem empossados.

 

Outro pilar fundamental para concretização da legislação da proteção de dados pessoais é a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional n° 17 de 2019, que teve origem no Senado Federal, já foi analisada por Comissão Especial na Câmara dos Deputados e aguarda sua votação no Plenário. “A PEC 17eleva a proteção de dados pessoais a um direito e garantia Constitucional, e fixa a competência privativa da União para legislar sobre o tema, o que é essencial para garantir que o direito digital possa funcional com fluideze segurança no país”.

 

Por isso, a camara-e.net entende que a LGPD deve ser prorrogada e que durante esse prazo ocorra a criação da ANPD e sua estruturação interna. “Para que se tenha a efetiva proteção da privacidade no país, bem como segurança jurídica no tratamento de dados pessoais, é imprescindível que a entrada em vigor da LGPD seja prorrogada, nos termos da MP959/2020”, finaliza Palhares.

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Uso de IA em fraudes de identidade dispara 300% e coloca e-commerce em alerta

Relatório global da Veriff indica que uma em cada 25 verificações digitais em 2025 foi fraudulenta; América Latina registra alta...
Security Report | Overview

Instabilidade no e-commerce da Pague Menos expôs preços falsos de produtos

Consumidores da rede de drogarias publicaram nas redes ofertas muito abaixo do padrão de ofertas da companhia e pagamentos direcionados...
Security Report | Overview

Relatório aponta crescimento de golpes em anúncios e redes sociais no 4º trimestre

Anúncios falsos lideraram ataques ao consumidor em 2025; deepfakes começam a aparecer em redes sociais
Security Report | Overview

Expansão da IA amplia lacuna entre investimentos e eficácia da segurança na nuvem, aponta Fortinet

Relatório global revela que complexidade dos ambientes híbridos e multicloud cresce mais rápido que a capacidade das equipes de proteger...