IoT: Por que as “coisas” são tão inseguras?

Para o perito digital, Ricardo Theil, produtos concebidos sem preocupação com segurança, uso inadequado e ansiedade de adoção tornam ambientes mais expostos à violação de privacidade, furto de dados e perdas financeiras

Compartilhar:

A (in)segurança em dispositivos móveis não é um assunto novo, pelo contrário, é um tema recorrente entre os profissionais de Tecnologia e Segurança da Informação. As razões que tornam os aparelhos IoT tão vulneráveis a ataques foram alguns dos tópicos abordados por Ricardo Theil, perito em Assinatura Digital, Segurança e Defesa Cibernética, no primeiro webinar promovido entre a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) e a Locaweb Corp.

 

Para o especialista, o grande problema já está na concepção dos produtos, que a maioria deles não considera a Segurança como um quesito fundamental. Além disso, Theil destaca outros pontos como a dificuldade de atualização de sistemas, defeitos em softwares e firmwares, falhas em configurações e uso inadequado.

 

Os riscos são inúmeros e envolvem violação de privacidade, furto de dados, perdas financeiras, danos à imagem, indisponibilidade de serviços críticos, participação em golpes, propagação de códigos maliciosos e até risco de morte. O perito afirma que, em geral, as pessoas adoram novas tecnologias, mas não esperam o tempo certo para utilizá-las. “O mercado como um todo não está maduro o suficiente para fazer uso desses dispositivos”, enfatiza.

 

Para exemplificar, Theil relatou uma série de casos conhecidos, todos envolvendo grandes fabricantes. As lâmpadas inteligentes da Phillips, por exemplo, tinham criptografia fraca, permitindo aos atacantes acesso ao wifi local. As Smart TVs (Samsung e LG) também foram citadas, já que algumas delas coletavam e armazenavam dados de áudio. “Essas informações seriam usadas para aperfeiçoar o atendimento, além de oferecer outros tipos de serviços”, afirma.

 

Entre as maiores preocupações está o uso de equipamentos IoT na área médica, onde o risco de uma invasão pode resultar em risco de morte. O perito exemplificou o caso do aparelho de infusão de medicamentos Hospira, exposto a uma série de vulnerabilidades que podem ser exploradas à distância. Nesse caso, o atacante pode alterar as doses sugeridas ou inutilizadas.

 

Para Theil, um dos problemas mais graves é que muitos dispositivos não permitem atualização ou não trazem os benefícios indicados caso o usuário troque a configuração. “Nesse sentido, estamos regredindo em termos de Segurança”, opina. “No entanto, a IoT é um caminho sem volta e cabe a nós fazer o uso adequado desses aparelhos, adicionar camadas extras de proteção e cobrar mais segurança dos fabricantes”, finaliza.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Avatar photo
Rui Borges

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Empresas aceleram adoção da IA, mas ainda enfrentam dificuldades para gerar resultados

No Security Leaders Salvador, Fábio Martins, Founder do IGOV.IA, alertou que o rápido avanço da Inteligência Artificial nas organizações não...
Security Report | Destaques

O paradoxo da inovação: “estamos prontos para o futuro que já chegou?”

No keynote de abertura do Security Leaders Salvador, Tatyana Souza, Gerente de TI da Santa Casa da Bahia, destaca por...
Security Report | Destaques

Security Leaders debate governança de IA, riscos e GRC em Salvador

Nesta quinta-feira, no Hotel Deville Prime Salvador, a 9ª etapa do roadmap 2026 reúne grandes nomes do setor para discutir...
Security Report | Destaques

Como a cultura cibernética impulsionou o negócio da Copa Energia

Após a integração de culturas corporativas distintas, a companhia investiu no aculturamento em Cibersegurança para fortalecer a colaboração entre áreas...