Interpol e PF defendem integração global para combater o Cibercrime financeiro

Superintendentes gerais de ambas as instituições ressaltaram o caráter transnacional que o crime cibernético assumiu nos últimos anos. Por isso, se tornou essencial estabelecer espaços de cooperação entre forças policiais e meios bancários para fortalecer a coerção contra delitos digitais

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A Febraban recebeu os gestores da Polícia Federal e da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para abrir os trabalhos do 2º Congresso de Prevenção e Repressão a Fraudes, Segurança Cibernética e Bancária, realizado hoje (11) em São Paulo. De acordo com as autoridades, é essencial ampliar o espaço de cooperação global das organizações policiais como forma de responder à crescente ameaça de fraudes e cibercrime sem fronteiras.

 

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os anos de 2023 e 2024, os crimes virtuais e o roubo de smartphones geraram aos brasileiros um prejuízo de R$ 186 bilhões de reais, o que supera os ganhos feitos pelo crime organizado em outras ações criminosas. O Secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, explica que esse crescimento demonstra o nível de globalização dos cibercriminosos e o tamanho do impacto causado em apenas um país.

 

“Verificamos um aumento significativo de delitos utilizando as plataformas digitais como meio de ação e o setor financeiro como alvo principal. Atualmente, há um processo de coordenação de grupos cibercriminosos além das fronteiras nacionais, o que fortalece ações fraudulentas em cada um dos países. Por isso, não temos mais possibilidade de exercer os interesses nacionais de Segurança sem mecanismos para viabilizar operações policiais internacionais”, comenta Urquiza.

 

Andrei Rodrigues, Superintendente Geral da PF, reforça que a proteção cibernética dos meios financeiros é uma responsabilidade compartilhada entre poder público, iniciativa privada e clientes. Para garantir esse contexto, Rodrigues defende que as forças policiais busquem caminhos diplomáticos para construir meios para trocar informações críticas para a coerção desses agentes.

 

“Esse cenário exige que tanto o Brasil quanto outros países apliquem medidas inovadoras de inteligência para coibir esse novo meio de ação das organizações criminosas. Nesse caso, o foco das autoridades policiais é enfrentar o poder econômico desses agentes hostis a partir do enfraquecimento de suas fontes de recursos, como contas laranjas e lavagem de dinheiro vindos de fraudes cibernéticas”, disse Rodrigues.

 

Cooperação entre sociedade e autoridades

 

Diante desse contexto deflagrado, os líderes da PF e da Interpol apresentaram projetos movidos por cada uma das instituições no sentido de elevar as capacidades tecnológicas dos órgãos e incentivar maior troca de conhecimento entre o sistema financeiro, as autoridades policiais e a sociedade civil.

 

No caso da Polícia Federal, Rodrigues ressaltou a construção de uma aliança conjunta com a Febraban visando a troca de informações financeiras que permitem aumentar a efetividade das ações antifraude. “Além disso, a PF está focada em processos amplos de descapitalização dos ativos cibercriminosos, ampliando a identificação de contas laranjas junto aos bancos e bloqueios de ativos comprovadamente mantidos pelo crime cibernético”, acrescenta.

 

Já a Interpol tem buscado ampliar a base de dados de crimes internacionais e efetivar seus acessos por todas as forças policiais pelo mundo. Visando tornar esse sistema mais eficiente, Urquiza afirma que a instituição internacional está em vias de adicionar novos recursos de Inteligência Artificial para auxiliar tanto no cruzamento de dados quanto na previsão de novas operações policiais, alimentadas por dados coletados globalmente.

 

“Não podemos mais falar de combate ao crime organizado nem em investigações eficientes sem considerar essa faceta digital dessas organizações. Por isso, a triangulação de informações entre autoridades policiais, iniciativa privada e cidadão dará condições de apoiar mecanismos de resposta tanto dos bancos quanto das polícias. Com isso, criamos condições de integração entre todos os agentes envolvidos com esse ambiente”, conclui o Secretário-geral.

 

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