Independência da ANPD: Caminhos e desafios

Na visão de especialistas, além de ser um avanço central para a interpretação e aplicação da LGPD, a independência da Autoridade Nacional de Proteção de Dados pode aumentar sua reputação internacional e dar mais transparência e agilidade em sua atuação

Compartilhar:

Os brasileiros vivem hoje uma verdadeira jornada de aprendizado para se inserirem em uma cultura digital. Neste ambiente online, é importante que exista transparência e confiança no uso de dados pessoais. Para isso, a LGPD está em pleno funcionamento, entretanto, a Autoridade (ANPD) segue ainda superando alguns desafios para fazer frente ao cenário de proteção de dados no Brasil.

 

Um deles é a transformação da natureza jurídica da Autoridade e seus impactos positivos para o país. Na visão do Diretor-Presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves, a independência do órgão pode trazer inúmeros benefícios ao Brasil. “Contamos com o apoio de todos e acreditamos que a transformação da ANPD irá ocorrer ao longo desse ano. Se olharmos o tamanho do nosso desafio, veremos o quanto isso é importante”, destacou o Diretor durante mesa redonda internacional organizada pelo Fórum Empresarial da LGPD.

 

Para os especialistas que participaram do debate, além de ser um avanço central para a interpretação e aplicação da LGPD, a independência da ANPD pode aumentar sua reputação internacional, incrementando as cadeias globais de valor, além de dar destaque para os fluxos transfronteiriços de informações e dados.

 

Segundo Arthur Pereira Sabbat, diretor do Conselho Diretor da ANPD, a independência é uma das três frentes trabalhadas pela Autoridade neste ano. “A Autoridade está ganhando força não só do governo, mas de entidades dos setores produtivo e acadêmico para que se ganhe independência técnica, decisória e orçamentária”, diz Sabbat durante o Congresso Security Leaders.

 

“A independência é necessária para que a ANPD não fique de mãos atadas ou aja de acordo a conveniência de agentes externos. A independência, sem dúvida, ajudará o país a ingressar em blocos e organismos internacionais, bem como dará transparência e agilidade em sua atuação”, acrescenta Guilherme Guimarães, advogado e sócio fundador do Guilherme Guimarães Advogados Associados e da Datalege Consultoria Empresarial.

 

Na visão do especialista, a independência dará maior segurança jurídica e, como reflexo, deixará o cenário mais claro e o ambiente propicio para investidores. Para ele, sem a independência, a ANPD poderá ser utilizada como um braço para seguir agendas não republicanas e, consequentemente, afastar investidores e dificultar seu ingresso em organismos internacionais.

 

“Entendo que a ANPD deveria investir pesado na discriminação do conhecimento, isto é, levar ao conhecimento da população seus direitos e quais seriam as obrigações das empresas públicas e privadas para garantir a proteção dos dados pessoais e assegurar a privacidade do titular”, finaliza Guilherme Guimarães.

 

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Destaques

Segurança Autônoma, inovações, Geopolítica: O que esperar dos próximos desafios da SI?

Em pesquisa com lideranças do setor de Cyber pelo mundo, a KPMG condensou 8 considerações a serem monitoradas pelos CISOs...
Security Report | Destaques

Unicred do Brasil sustenta Segurança e escala com SASE e inteligência de rede

Em painel no Security Leaders Porto Alegre, instituição e Agility detalham como arquiteturas modernas de conectividade simplificam o acesso de...
Security Report | Destaques

IA, autonomia e Cyber: Líderes discutem equilíbrio entre inovação e fator humano

Até que ponto a Inteligência Artificial agêntica tem condições de agir de forma autônoma, e em que momento o usuário...
Security Report | Destaques

79% dos ataques de ransomware usaram identidades como vetor de acesso inicial

Descoberta foi documentada no State of Ransomware 2026 da Sophos, anunciada hoje (15) pela empresa. De acordo com os executivos...