IA exige governança compartilhada

Diante da intenção de criar um ecossistema open source de IA, a gigante chinesa Huawei apresenta um modelo de responsabilidade compartilhada para garantir maior segurança e proteção dos dados.

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A combinação de novas tecnologias como cloud computing e Inteligência Artificial pode elevar os desafios de cybersecurity à enésima potência. Essa questão está na pauta de empresas como a Huawei, que pretende liderar a oferta de soluções inovadoras, mas sabe que segurança é fundamental para garantir  que os negócios evoluam sem maiores riscos.

 

Durante o Huawei Connect 2019, que aconteceu há duas semana em Xangai, a empresa chinesa reuniu um grupo de experts no tema para debater um modelo de governança de segurança e privacidade no novo mundo da Inteligência Artificial. O tema permaneceu em evidência durante todo o Congresso, já que a empresa chinesa apresentou uma estratégia completa de TIC muito baseada em IA e no modelo open source, com o intuito de democratizar o desenvolvimento de soluções nessa plataforma em todo o mundo.

 

O encontro foi liderado por Sean Yang, diretor global de Segurança e Privacidade Cibernética da Huawei. “Onde está a inteligência artificial hoje?”, questionou ele, em sua apresentação. Para Yang, ela está em cada indivíduo, em cada residência e em cada organização. Sean Yang acredita que uma das mais importantes aplicações da IA é justamente melhorar a qualidade de vida das pessoas. Muitas dessas aplicações exigem captura de imagens, envolvem reconhecimento facial e tudo isso se torna um grande desafio, exigindo computação pesada, algoritmos sofisticados e recursos de redes neurais.

 

Entretanto, todas essas aplicações trazem a reboque questões de segurança e privacidade bastante complexas e que ainda não foram avaliadas em sua totalidade. Sean Yang acredita que tudo depende muito do que ele chamou de “business aplication” e isso precisa estar claro também para o usuário, porque é importante que ele concorde com isso. A indústria de IA na verdade será um grande ecossistema e uma cadeia de negócios com vários players atuando.

 

Quando se trata de IA, o mote é dividir responsabilidades, acrescentou Bao Feng, diretor da Huawei Shield Lab e que também participou da agenda de cyberseguranca e privacidade. Durante o evento, a Huawei apresentou um documento que descreve a estratégia da empresa no quesito segurança em IA, tratando de questões como privacidade e soluções relacionadas. O documento propõe um modelo de responsabilidade compartilhada com base na governança de segurança, uma nova tendência que as leis de privacidade de dados como a GDPR européia e a LGPD brasileira estão trazendo à tona.

 

No documento apresentado pelos especialistas da Huawei na área de segurança e privacidade, foram indicados os pilares dessa estratégia, como controle dos sistemas, transparência, rastreabilidade, proteção de privacidade e ainda as próprias práticas adotadas pela empresa nessa área. Ciente de que a estratégia de IA abrange diversos atores, a Huwaei procurou mostrar não só o seu próprio mas também e principalmente uma governança e proteção baseadas em responsabilidade compartilhada.

 

O relatório propõe ainda que, diante dos desafios de se lidar com as ameaças e riscos de forma isolada e individual, o caminho é adotar um modelo compartilhado de governança de segurança com responsabilidades em cinco frentes que devem atuar juntas: consumidores, desenvolvedores, implementadores, fornecedores de soluções e empresas de coleta e tratamento de dados. A proposta apresentada pela Huawei foi costurada com a participação de acadêmicos, tecnólogos, gestores e especialistas em segurança, privacidade e governança.

 

Graça Sermoud viajou para Xangai a convite da Huawei

 

 

 

 

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