Geopolítica e SI: Como as disputas internacionais podem interferir no ciberespaço?

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Quais impactos o cenário geopolítico atual pode gerar à Cibersegurança de empresas públicas e privadas? De acordo com o recente Global Cibersecurity Outlook, do Fórum Econômico Mundial (WEF), essas temáticas não estão apenas interconectadas, como também tendem a gerar desdobramentos críticos às organizações, exigindo que elas direcionem suas estratégias de SI atuais para responder e mitigar eventuais riscos.

 

De acordo com o WEF, 64% das empresas consideram eventuais ataques movidos por questões geopolíticas como o aspecto mais importante a ser considerado nos planejamentos de risco cibernético. Isso coloca a questão à frente de temas como integração entre TI e OT e desinformação. 36% apontaram ainda que os investimentos em threat intel contra ameaças geradas por estados-nação cresceu em 2026.

 

Além disso, 91% das empresas consultadas pelo Fórum com mais de 100 mil funcionários desenvolveram suas estratégias de Segurança Cibernética considerando a alta volatilidade do cenário político internacional, dados os riscos recentes de ataques baseados em questões desse tipo. De acordo com a instituição, esses dados demonstram como o tema se tornou crítico para a SI.

 

“Em um cenário global cada vez mais fragmentado – marcado por conflitos, tensões geoeconômicas, guerras comerciais, sanções e crescente concorrência tecnológica – a geopolítica tornou-se uma força determinante na definição da segurança cibernética, e os contrastes regionais ressaltam a importância do contexto na definição desta resiliência”, aponta o WEF no Global Cybersecurity Outlook de 2026.

 

De fato, segundo o estudo, as preocupações das diferentes regiões do mundo com as ameaças geopolíticas no cenário cibernético também variam: 84% dos respondentes em EMEA (Europe, Middle East and Africa), por exemplo, se sentem preparados para enfrentar esses riscos. Já na LATAM (Latin America) esse índice de preparação está em 13%. Diante dessa realidade, nunca foi tão essencial às empresas saber e analisar o que está acontecendo para além das fronteiras de seus países de origem.

 

Conforme aponta a Vice-Presidente Executiva para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, a prioridade dos países do bloco e de fora dele é impulsionar os investimentos na Cibersegurança para reforçar as capacidades industriais e aproveitar a tecnologia de ponta para melhorar a detecção e a antecipação perante ataques de grupos que ameacem a estabilidade econômica local.

 

Ela também aponta que investir em pessoas especializadas para mitigar o gap de talentos será essencial nesse contexto. “À medida que o panorama das ameaças evolui e a IA passa a impulsionar cada vez mais as operações ofensivas no ciberespaço, devemos intensificar nossos esforços para garantir a resiliência de nossas infraestruturas críticas e da conectividade, identificando e resolvendo vulnerabilidades mais rapidamente”, disse.

 

Soberania Cibernética

O estudo também reforça a mudança de perspectiva de governos e empresas em busca de soluções e parcerias mais confiáveis, em um contexto de crescimento de visões por soberania e independência em detrimento de interrelações com fornecedores estrangeiros. Essa realidade de soberania cibernética, agora gerando influência no espaço cibernético, ganhou ainda mais força no último ano.

 

“No âmbito organizacional, as preocupações com a soberania têm se tornado cada vez mais tangíveis. Governos, instituições públicas e empresas privadas estão reavaliando sua dependência de fornecedores de tecnologia estrangeiros e da infraestrutura global de nuvem, tendo em vista as tensões geopolíticas e as vulnerabilidades da cadeia de suprimentos”, acrescenta o estudo.

 

Essa realidade torna a questão de confiança em parceiros e aliados além das fronteiras uma questão de preservação da rede de fornecimento e base crucial da continuidade do negócio. “A crescente atenção dada à soberania destaca a tensão entre preservar a abertura e a interoperabilidade e salvaguardar a autonomia, o controle e a resiliência nacionais contra perturbações externas”, conclui o Fórum.

 

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