Falhas de Cibersegurança dobram risco de vida de pacientes, alerta estudo

Com mais de 3.000 tentativas semanais de ataque por organização, setor de saúde no Brasil lidera ranking global de ciberataques em 2025, expondo riscos à vida, dados e continuidade dos serviços

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De acordo com relatório da Check Point Software, o setor de saúde está entre os mais atacados do mundo em 2025, com uma média de 2.309 tentativas semanais de ataque por organização. Com um aumento de 39% em relação ao ano anterior. No Brasil o número foi ainda maior: 3.167 ataques semanais por organização. À medida que o setor de saúde se digitaliza rapidamente, cresce da mesma forma a exposição a ameaças cibernéticas que colocam em risco a vida de pacientes, dados sensíveis e a continuidade dos serviços, alertou a organização.

 

Com mais de 3.000 ciberataques semanais ao setor de saúde no Brasil, especialistas alertam que proteger sistemas é proteger pacientes. A atratividade deste setor para criminosos digitais se deve à sua criticidade. Uma interrupção de sistemas pode significar o atraso ou cancelamento de tratamentos, impactando diretamente a vida dos pacientes.

 

Em dezembro de 2021, sistemas críticos do Ministério da Saúde do Brasil, como o e-SUS Notifica e o ConecteSUS, foram alvos de um ataque hacker que os deixou fora do ar. Isso impediu o acesso a registros de vacinação e à emissão de certificados, afetando diretamente o controle sanitário durante a pandemia, afirmam os dados da pesquisa. Grande parte dessas invasões começa de forma simples, por phishing, sistemas desatualizados ou redes mal configuradas, e não por ataques sofisticados.

 

Impactos e consequências em cadeia

Segundo a Check Point os ataques cibernéticos afetam desde a operação de hospitais até a confiança do público. Sistemas eletrônicos de prontuários, agendamentos e diagnósticos tornam-se inacessíveis, forçando o retorno a processos manuais que comprometem a qualidade e a agilidade do atendimento. Além dos danos imediatos, a perda ou vazamento de dados compromete a confiança dos pacientes, afeta o moral das equipes e gera impactos financeiros significativos.

 

A organização explicou que países em desenvolvimento, onde os recursos são limitados, a vulnerabilidade é ainda maior. Orçamentos restritos dificultam a atualização de sistemas, o treinamento da equipe e a implementação de soluções de proteção, tornando essas instituições alvos ainda mais fáceis para cibercriminosos.

 

Ameaça dos dispositivos médicos 

O avanço da Internet das Coisas Médicas (IoMT) expande a superfície de ataque, diz o relatório. Marcapassos, bombas de insulina e equipamentos de imagem estão cada vez mais conectados e expostos.  O caso do ransomware WannaCry, em 2017, que afetou mais de 1.200 dispositivos no Reino Unido, demonstrou que as consequências desses ataques vão além dos dados: podem custar vidas. Cinco departamentos de emergência do Reino Unido foram forçados a fechar e mais de 19 mil consultas médicas foram canceladas.

 

Estratégia de prevenção

Apesar do cenário preocupante, existem soluções. Os especialistas da Check Point Software destacaram cinco estratégias essenciais para aumentar a resiliência cibernética do setor de saúde como treinamento contínuo de equipe, visibilidade e mapeamento dos ativos em nuvem.

 

Além disso, a organização recomenta a segmentação com confiança zero (Zero Trust) para impedir o movimento lateral durante uma invasão, a adoção de ferramentas de prevenção de ameaças baseadas em IA para bloquear ataques antes que se concretizem. E ainda uma abordagem de segurança unificada e consolidada para diminuir o risco de possíveis ataques.

 

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