Criminosos usam a LGPD para sequestro de dados de empresas

Golpistas estão utilizando a possibilidade de aplicação de multas em empresas com dados vazados para roubar informações confidenciais destas corporações

Compartilhar:

Os criminosos cibernéticos estão sempre buscando novas formas de lucrar e uma nova modalidade de ataque tenta se aproveitar da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Lançada em 2020, a legislação pretende promover a proteção aos dados pessoais por parte das empresas que têm eles sob sua tutela.

 

É o que apontou o último relatório da Apura Cybersecurity Intelligence. Golpistas estão utilizando a possibilidade de aplicação de multas em empresas com dados vazados para roubar informações confidenciais destas corporações com a intenção de chantageá-las para sua não divulgação. Caso a empresa não pague o valor exigido, esses dados acabam, muitas vezes, negociados entre os próprios cibercriminosos.

 

Exemplo do impacto dessa atividade aconteceu recentemente, em um dos piores vazamentos da história do país: dados de 223 milhões de pessoas e 40 milhões de empresas sendo negociados em fórum criminoso, contendo informações que vão desde CPF, data de nascimento, endereço, números de telefone, a até mesmo salários e dados de declaração de imposto de renda.

 

“Nas mãos de criminosos, esses dados podem ser, e provavelmente serão, utilizados para fraudar contas bancárias digitais, cartões de crédito, pedidos de empréstimos, ou até mesmo fraudes mais sofisticadas como personificação de altos executivos de empresas para obtenção das mais variadas vantagens”, explica Maurício Paranhos, diretor de operações da Apura Cybersecurity Intelligence.

 

Diversos órgãos de proteção da sociedade civil como o Procon, o Ministério Público e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) já se pronunciaram diante do vazamento exigindo uma investigação rápida e punição severa para quem, por ação ou omissão, tornou possível o vazamento dos dados.

 

Para evitar ter informações pessoais extraviadas, Marco Romer, coordenador de Reports da Apura Cybersecurity Intelligence, orienta que é preciso ter cautela ao compartilhar dados com qualquer serviço que os solicite.

 

“A população precisa ser parte ativa nesse processo de questionamento sobre o motivo e como seus dados estão sendo guardados, como podem ter acesso a eles, como podem fazer com que as empresas apaguem esses dados, caso seja essa a sua vontade, e como impedir, por exemplo, que empresas comercializem esses dados entre elas sem o menor controle, conhecimento e consentimento dos titulares.”, finaliza Romer.

Destaques

Colunas & Blogs

Conteúdos Relacionados

Security Report | Overview

Threat Intel detecta expansão de incidentes baseados em IA agêntica

Relatório global revela como um único operador comprometeu nove agências governamentais utilizando inteligência artificial comercial para otimizar e acelerar campanhas...
Security Report | Overview

20% dos dispositivos em telecomunicações sofreram ataques, alerta pesquisa

Relatório global revela alta exposição a ciberameaças e aponta a urgência de alinhar a inteligência contínua ao fator humano para...
Security Report | Overview

Anthropic expande rol de parcerias para proteção de dados com IA

A nova iniciativa unifica a visibilidade e o controle em tempo real da plataforma Netskope One ao Claude Enterprise, simplificando...
Security Report | Overview

Operação global derruba botnet russa que mirava supply chain de software

Ação conjunta entre CrowdStrike, Google e ShadowServer Foundation, interrompe campanha cibernética que comprometeu mais de 300 repositórios no GitHub e...