O uso de criptomoedas em atividades ilícitas disparou em 2025. Segundo o 2026 Crypto Crime Report, endereços identificados como ilegais movimentaram ao menos US$ 145,9 bilhões, alta de 155% frente a 2024. O salto é impulsionado pelo crescimento de 656% nas transações ligadas a entidades sob sanções internacionais, evidenciando a utilização de ativos digitais para evasão em escala global. Apesar disso, operações ilícitas seguem representando menos de 1% do volume total do ecossistema cripto.
O estudo revela uma mudança estratégica: atores estatais passaram a dominar o crime on-chain. Hackers ligados à Coreia do Norte roubaram cerca de US$ 2 bilhões, incluindo o maior ataque já registrado, de US$ 1,5 bilhão. A Rússia lançou o token A7A5, lastreado em rublo, movimentando US$ 88,7 bilhões para contornar sanções. Redes alinhadas ao Irã também operaram esquemas de lavagem e comércio ilícito, somando mais de US$ 2 bilhões.
Outro destaque é a consolidação das stablecoins, que responderam por 88% das transações ilegais, e a ascensão das Chinese Money Laundering Networks, oferecendo serviços como lavagem de dinheiro e suporte a fraudes e evasão de sanções. Paralelamente, infraestruturas técnicas continuam sustentando ransomware, mercados ilegais e operações estatais.
Por fim, cresce a interseção entre crime digital e violência física, com casos de coerção para transferências de criptoativos e uso em tráfico humano. Para 2026, o desafio será conter redes cada vez mais sofisticadas e conectadas à geopolítica.