Conflito Ucrânia X Rússia registra 170 mil tentativas de exploração de vulnerabilidade

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De acordo com números levantados pela Apura, foram 2,1 mil incidentes, fora outras 170 mil tentativas; ainda, setes novos malwares e vírus identificados

A guerra na Ucrânia completou um ano. Um levantamento feito pela Apura mostra que, além dos bombardeios em cidades, portos, estradas e outros pontos do território, ataques cibernéticos são a marca nesses 14 meses. Os dados e informações consolidados reafirmam o caráter de ciberguerra do atual embate, assinala o fundador e CEO da Apura, Sandro Süffert, que atua há mais de 25 anos com segurança na internet.

Em recente boletim, denominado “Balanço de um ano de guerra cibernética na Ucrânia”, a Apura constata, a partir de dados da Mandiant (subsidiária da Google), que em 2022 os ataques cibernéticos promovidos pela Rússia contra a Ucrânia cresceram 250%, em relação aos dois anos anteriores (quando as forças armadas do país presidido por Vladimir Putin não tinham invadido o território vizinho).

“Os ataques se concentraram em alvos do governo ucraniano e entidades militares, juntamente com infraestrutura crítica, serviços públicos e setores de mídia”, afirma o boletim da Apura. O texto acrescenta: “A Mandiant observou a ocorrência de ‘mais ataques cibernéticos destrutivos na Ucrânia durante os primeiros quatro meses de 2022 do que nos oito anos anteriores, com picos de ataques no início da invasão.”

NÚMEROS

O levantamento da Apura inclui também dados estatísticos, que impressionam. A partir de informações do Serviço Estatal de Comunicação Especial e Proteção da Informação da Ucrânia, SSSCIP na sigla em inglês (State Service of Special Communication and Information Protection), o boletim indica que, até dezembro de 2022, “mais de 2,1 mil incidentes foram tratados [pelo governo ucraniano], com ataques propriamente contra a infraestrutura civil, em vez de militar”.

Além disso, só em dezembro último foram bloqueados quase 400 ataques do tipo DDoS (que atacam sites e servidores para interromper serviços em rede) de “alto nível”, chegando a 40 por dia. Ainda, foram identificadas e bloqueadas 170 mil tentativas de exploração de vulnerabilidades. O SSSCIP também identificou, em 2022, sete novos tipos de malwares (softwares maliciosos) e vírus, conforme destaca o levantamento da Apura.

Os dados levam Sandro Süffert a descrever características da guerra cibernética entre Rússia e Ucrânia. Inicialmente, o fato de ser a primeira guerra cibernética em grande escala. “Não é o primeiro conflito cibernético da história, mas, nessas dimensões, é algo sim inédito”, reitera o especialista. Outra marca é a importância de uma preparação e resiliência antiataques cibernéticos terem sido construídas.

“O próprio governo da Ucrânia reconhece que, por ter sofrido ciberataques sofisticados no passado, foi possível construir uma estratégia de defesa que, em tempos de guerra, se mostrou relevante para minimizar os impactos dos ciberataques desde os primeiros dias do conflito”, pontua o boletim da Apura, que acrescenta, citando avaliação divulgada pelas autoridades ucranianas: “Todos os ataques são realizados usando técnicas previamente conhecidas. Os ataques usados pela Rússia há muito são categorizados e têm soluções diretas para contra-ataque”.


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